App do FGC volta a funcionar e atende 9 mil pedidos por hora com reembolso do Master
Fundo garantidor deu início ao processo de ressarcimentos do banco no sábado, 17, mas pico de acessos fez com que serviço saísse do ar
Depois de sofrer um apagão com a sobrecarga de acessos e ficar fora do ar no sábado, 17, o aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) voltou a funcionar neste domingo e já está permitindo que os correntistas e investidores do Banco Master deem início ao seu pedido de restituição. As informações foram confirmadas pelo FGC em comunicado, e a reportagem também testou o aplicativo, que funcionava normalmente nesta tarde. Os pagamentos começam a ser feitos na segunda-feira, de acordo com o fundo.
Exatos dois meses depois da liquidação do Master pelo Banco Central, em 18 de novembro, o FGC informou neste sábado, 17 de janeiro, que havia dado início ao processo de restituições relativas à quebra do Master. A liberação dependia do envio da lista de clientes afetados, que deve ser entregue pelo banco afetado ou seu representando ao FGC.
Uma vez liberado o processo, os investidores são identificados automaticamente pelo aplicativo, mas devem ter o cadastro feito e fazer ativamente a solicitação do reembolso, por meio do envio de documentos e comprovação de identidade. Com o pico de acessos, essas funcionalidades tinha ficado fora do ar durante o sábado. De acordo com o FGC, foram mais de 140 mil acessos ao mesmo tempo nas primeiras horas.
“O aplicativo opera normalmente, embora pontualmente volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão”, informou o FGC em nota neste domingo. De acordo com o fundo, estão sendo processados cerca de 9 mil pedidos por hora, o que corresponde a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo.
“Dos 800 mil credores, até o momento, cerca de 369 mil pedidos já foram registrados, sendo que aproximadamente 150 mil credores finalizaram o processo de solicitação da garantia e seguiram para o processo de pagamento que se inicia a partir de segunda-feira, dia 19 de janeiro de 2026”, continua o comunicado.
Conhecido há muito tempo no mercado pela estratégia agressiva e a oferta de investimentos com remunerações bastante acima da média, o Master acabou sendo fechado pelo Banco Central em novembro em meio à explosão de uma crise de solvência – as contas e aplicações a pagar a clientes eram muito maiores do que os ativos reais do banco – e também diversas denúncias de fraudes – os ativos declarados eram artificialmente inflados para parecer que eram maiores.
O rombo do Master a ser devolvido é calculado em cerca de 40 bilhões de reais, cerca da metade de todo o patrimônio do FGC e também o maior desembolso a ser feito pelo fundo desde a sua criação, nos anos de 1990.
O FGC é um fundo privado, financiado pelos bancos, e tem a função de servir como um seguro para os correntistas e investidores. O fundo devolve o dinheiro de clientes com valores de até 250 mil reais em depósitos ou investimentos em bancos quebrados.
O valor é válido por CPF e por instituição, e abarca tanto o valor aplicado quanto os rendimentos, desde que, somados, não ultrapassem o teto estipulado. Os rendimentos ressarcidos são contabilizados até a data da liquidação da instituição – no caso do Master, 18 de novembro. As aplicações deixam de render a partir daí.





