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Bancos privados têm margem para reduzir juros–Mantega

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 12 Abr (Reuters) – O governo endureceu o discurso e cobrou abertamente dos bancos privados que reduzam os juros para os consumidores, ao mesmo tempo que deixou a porta aberta para uma nova rodada de redução de juros pelos bancos públicos, para acirrar ainda mais a competição.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, existem condições para que os bancos brasileiros deixem de ser os “campeões de spread no mundo”, referindo-se à diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada ao cliente.

“Os bancos têm margem para reduzir os juros e aumentar o volume de crédito”, disse Mantega nesta quinta-feira a jornalistas ao chegar à sede do Ministério.

Segundo dados do Banco Central, o spreads bancários médios no Brasil estavam em 28,4 pontos percentuais em fevereiro.

Em uma crítica aberta ao setor financeiro, Mantega afirmou que os bancos privados estão retendo crédito aos consumidores. E disse que não há justificativa para a cobrança dos níveis atuais de juros nos empréstimos a consumidores e empresas.

“Os trabalhadores estão com mais salários e vontade de consumir, porém está havendo retenção de crédito por parte dos bancos”, afirmou o ministro.

Segundo Mantega, os bancos privados captam recursos a 9,75 por cento ao ano e emprestam a 30, 40, 50 ou 80 por cento ao ano, dependendo das linhas de crédito. “Esta situação não se justifica”, declarou.

O ministro assegurou ainda que não faltarão recursos para empréstimos e financiamentos. “Não vou deixar a economia sem crédito. Não vamos deixar a economia frustrar as taxas de crescimento por falta de crédito”, afirmou.

Para Mantega, os bancos privados possuem lucros elevados. “No ano passado, os bancos brasileiros foram entre os mais lucrativos do mundo. Acho isso bom. Eu quero que os bancos tenham lucro só que a partir de crédito, a partir da atividade econômica do empréstimo e sem afligir o consumidor”, destacou.

Ele criticou também o posicionamento da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), cujos representantes estiveram no Ministério da Fazendo na terça-feira para discutir o tema e fizeram exigências ao governo para reduzir os juros.

“O Murilo Portugal esteve aqui e, em vez de trazer soluções, anunciando aumento de crédito, veio fazer cobranças….Os bancos querem jogar a conta nas costas do governo.”

BANCOS PÚBLICOS

A estratégia do governo para forçar os bancos privados a reduzirem os juros tem sua força maior nas instituições públicas, repetindo a fórmula usada na crise internacional de 2008. Recentemente, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal cortaram os juros em diversas linhas de crédito sob a orientação do Executivo.

Questionado se a resistência dos bancos privados levará o governo a fazer uma segunda rodada de redução dos juros via bancos públicos, Mantega disse que essa será uma avaliação a ser feita pelas estatais, não descartando a possibilidade.

Ele, no entanto, destacou que as duas instituições financeiras possuem margem para ampliar a oferta de crédito. “Os bancos públicos vão avaliar a necessidade do mercado… Eles têm rentabilidade tão alta quanto os bancos privados e baixa inadimplência, portanto, não há risco”, garantiu.