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Banco Central mantém Selic em 15% ao ano pela quinta vez seguida, mas prevê corte em março

A autoridade monetária considera que a estratégia vigente tem sido adequada para a inflação convergir à meta

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jan 2026, 18h35 • Atualizado em 28 jan 2026, 19h11
  • O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu nesta quarta-feira, 28, manter a taxa básica de juros da economia em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A autoridade monetária agiu dentro das expectativas do mercado financeiro, que considerava a manutenção dos juros praticamente certa. Desde junho do ano passado, a taxa Selic está no maior nível em 20 anos. O BC, contudo, prevê iniciar um ciclo de cortes de juros a partir da próxima deliberação, marcada para março. A votação pela manutenção dos juros foi unânime.

    A linguagem mais suave adotada no comunicado desta quarta-feira e a clara sinalização de um corte de juros futuros foram a grande novidade do dia. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado. A redução dos juros só é possível porque o BC considera que a estratégia adotada até aqui tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

    Apesar de indicar que o alívio monetário está no horizonte, o Copom deixou claro que cortes seriam feitos com cautela: “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”. Nesse sentido, o alto nível de incerteza em relação a fatores econômicos e geopolíticos é olhado com atenção.

    A autoridade monetária aponta que o ambiente externo segue incerto em função da conjuntura econômica dos Estados Unidos, e não descarta a possibilidade de iniciar um ciclo de alta da taxa de juros caso julgue necessário.

    O BC reconhece que os indicadores macroeconômicos brasileiros apresentam uma trajetória de moderação do crescimento, algo positivo para o controle da inflação. O mercado de trabalho, no entanto, segue resiliente, o que gera pressão sobre os preços.

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    A decisão do Copom ocorreu no dia seguinte à divulgação do último IPCA-15, considerado a prévia da inflação. O indicador apontou que os preços devem subir 0,20% em janeiro, resultado um pouco melhor do que o previsto pela média do mercado, que antecipava uma inflação mensal de 0,22%. Trata-se do segundo melhor resultado para um mês de janeiro desde 1994.

    A alta acumulada do IPCA-15 em 12 meses ficou em 4,5% — percentual que é o limite superior da meta perseguida pelo BC. O BC trabalha com uma meta de inflação contínua de 3%. A autoridade monetária também dispõe de bandas de tolerância de 1,5% para mais ou para menos — ou seja, indo de 1,5% a 4,5%.

    Na deliberação anterior do Comitê, em dezembro de 2025, o Copom manteve um tom considerado duro por analistas do mercado — frisando que a política monetária seguiria restritiva por um “período bastante prolongado”. Ao fazer isso, o BC indicou que não haveria um corte de juros em janeiro de 2026.

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    O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 26, reunindo projeções do mercado financeiro, sugere que a taxa Selic deve terminar o ano em 12,25%, portanto 2,75 pontos percentuais abaixo do nível atual. A edição do boletim que será divulgada na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro, indicará se o mercado vai mudar suas projeções a partir do comunicado publicado hoje pelo BC.

    (Em atualização)

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