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Banco Central injeta liquidez e contém alta do dólar

Mercado abriu com dólar cotado a R$ 2,13 e intervenção do Banco Central levou o câmbio para patamar próximo a R$ 2,10

Por Da Redação 3 dez 2012, 12h57

O Banco Central interveio no mercado de câmbio na manhã desta segunda-feira e injetou liquidez para conter a disparada do dólar. Após a moeda norte-americana começar a sessão acima do patamar de 2,13 reais no balcão, a autoridade monetária interveio com dois leilões de swap cambial – venda de dólar no mercado futuro. Tendo em vista que este é o terceiro leilão de swap cambial realizado após o dólar atingir ou ultrapassar 2,12 reais, alguns agentes do mercado passaram a apostar em um teto informal do dólar além desse patamar.

Além de ter adicionado automaticamente 1,5 bilhão de dólares por não ter liquidado o vencimento remanescente nesse montante em swap cambial reverso – compra de dólares – que venceria nesta segunda-feira, o BC fez dois leilões, nos quais vendeu um total de cerca de 2,086 bilhões de dólares.

Com esses dois leilões, a autoridade monetária liquidou antecipadamente o próximo vencimento de cerca de 1,8 bilhão de dólares em swap reverso para 2 de janeiro de 2013. Paralelamente, tirou o dólar à vista de uma máxima de 2,1350 reais(+0,38%) na abertura para uma mínima de 2,0970 reais (-1,41%), registrada após o segundo leilão diário. Já no mercado futuro, o vencimento de dólar para janeiro de 2013 saiu de uma máxima de 2,1490 reais (+0,12%) para uma mínima de 2,1060 reais (-1,89%).

O Banco Central está ciente de que, no último mês do ano, há aumento de demanda por dólar para hedge corporativo (compra de dólar no mercado futuro) e para remessas de lucros e dividendos ao exterior, por isso, injetou liquidez logo na abertura, disse um operador de um banco.

Para o economista Sidnei Nehme, da NGO Corretora, as intervenções desta segunda-feira deixam claro que o BC não quer que o dólar se distancie muito dos 2,10 reais. “Preocupado com o impacto da variação do dólar sobre a inflação e com o crescimento econômico fraco do país este ano, o BC está cauteloso”, afirmou. Nehme avalia que o BC deve calibrar a dose de alta do dólar, já que um aumento abrupto da moeda também pode prejudicar uma parcela da indústria que importa insumos e equipamentos. Desse modo, o economista avalia que a evolução do dólar deve ser gradual e cuidadosa.

Banda informal – Outros profissionais de câmbio avaliaram que o novo teto informal do dólar não seria mais nem os 2,10 reais nem os 2,12 reais, mas poderia ir além desses níveis de preço.

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Um experiente operador de câmbio de uma corretora disse que há espaço para o dólar buscar valores mais altos. “O BC pode querer começar 2013 com um câmbio acima de 2,10 reais, em razão do crescimento fraco”, avaliou. A atuação do BC hoje visou dar liquidez aos investidores que buscam proteção e apostam em um dólar mais alto no curto e médio prazo, observou a fonte.

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O analista Ricardo Setton, operador de mesa de câmbio do Banrisul, em Porto Alegre, concorda que os leilões de swap cambial consolidam um teto informal do dólar em patamar mais elevado. “O mercado vinha trabalhando com uma banda informal de câmbio entre 2,02 reais e 2,05 reais, subiu para 2,05 reais a 2,10 reais e, agora, elevou essa faixa de oscilação de 2,07 reais a 2,13 reais”, comentou, estimando que o mercado não deve deixar o dólar cair abaixo de 2,09 reais. No médio prazo, é possível um teto informal mais largo, dependendo do ritmo de crescimento do PIB do quarto trimestre e do comportamento da inflação no país, avaliou. “O tamanho do PIB do quarto trimestre deve dar uma definição para o novo teto informal da moeda norte-americana”, prevê Setton.

Pelo comportamento recente do Banco Central, segundo o operador João Paulo de Gracia Corrêa, da Correparti Corretora, de Curitiba, o novo teto informal do dólar pode ser um pouco mais alto, perto de 2,15 reais. “O BC quer evitar movimento exagerados no câmbio e parece estar indicando que busca um novo teto de forma gradual, de modo a estimular o crescimento do país, mas sem comprometer o controle da inflação.

(com Estadão Conteúdo)

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