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Ata do Copom dá sinal de que BC pode reduzir ritmo ou frear corte de juro

Comitê reafirmou também que são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica neste e nos próximos semestres

Por Da Redação - 6 set 2012, 09h14

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC), repetiu a expressão “máxima parcimônia” em relação à possível continuidade da queda da taxa básica de juros. O termo já havia sido utilizado no comunicado que se seguiu à decisão, da semana passada, de reduzir a Selic em 0,5 ponto porcentual, para 7,5% ao ano. “Considerando os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, que em parte se refletem na recuperação em curso da atividade econômica, o Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia”, trouxe o documento.

Até a última reunião do comitê, os diretores, em suas comunicações com o mercado, falavam apenas “parcimônia” para caracterizar o ritmo de redução da taxa Selic. Ao mesmo tempo, as quedas nos últimos meses foram da magnitude de 0,5 ponto porcentual. Ao acrescentar o adjetivo “máxima” a essa palavra, os analistas passaram a entender que uma próxima diminuição dos juros, se vier a acontecer, será menor que esses 0,5 p.p. Em outras palavras, o mercado se divide hoje entre a expectativa de um novo corte de 0,25 p.p. ou mesmo a interrupção da redução do juro básico.

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Inflação – O Copom demonstrou maior preocupação com a inflação no curto prazo. Afirmou que a pressão recente nos preços é decorrente de um choque desfavorável de oferta nas commodities agrícolas no mercado internacional. O comitê sustentou, no entanto, que esse choque tende a ser menos intenso e duradouro que o ocorrido entre 2010 e 2011, podendo se reverter no médio prazo. “Apesar de manifestar viés inflacionário no curto prazo, o cenário internacional se mostra desinflacionário no médio prazo”, disse ma ata.

Crise internacional – O colegiado considerou que, desde a reunião anterior, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados. Em particular, os diretores do BC citaram os riscos decorrentes do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos. “O Comitê entende que, de modo geral, mantiveram-se inalteradas as perspectivas de atividade global moderada, e pouco se alteraram as restrições às quais estavam expostas diversas economias maduras.”

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Os diretores ressaltaram ainda que, nessas economias, o espaço para utilização de política monetária parece limitado e prevalece um cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. “Além disso, em importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade permaneceu moderado”, consideraram os diretores reunidos no Copom.

Retomada – O comitê reafirmou também que são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica neste e nos próximos semestres, com alguma assimetria entre diversos setores. Para o BC, a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias. Isso se dará, diz o documento, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito.

“Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos”, ressalta o documento. O colegiado apontou que, além desses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos e a gradual recuperação da confiança criam boas perspectivas para o investimento nos próximos meses.

Na ata, os diretores do BC ponderaram que essas iniciativas recentes apontam um “cenário de neutralidade” para o setor público. Ao mesmo tempo, eles avaliaram que o conário externo ainda muito conturbado apresenta-se como um importante fator de contenção da demanda agregada. “Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.”

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Juros – O Copom salientou também que o recuo das taxas de juros – e, em particular, da chamada taxa neutra, aquela que, grosso modo, consegue igualar oferta e demanda agregadas, sem pressionar a inflação – foi determinado por “mudanças estruturais significativas” na economia brasileira. “Apoiam essa visão, entre outros fatores, a redução dos prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação pelo oitavo ano consecutivo, da estabilidade macroeconômica e de avanços institucionais”, enumerou.

Além disso, o processo de redução dos juros foi favorecido, conforme o colegiado, por mudanças na estrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo desenvolvimento do mercado de crédito e pela geração de superávits primários “consistentes” com a manutenção da tendência decrescente da relação dívida/PIB.

Para o comitê, todas essas transformações caracterizam-se por elevado grau de perenidade e contribuem para que a economia brasileira hoje apresente sólidos indicadores de solvência e de liquidez, ainda que reversões pontuais e temporárias possam ocorrer em virtude dos próprios ciclos econômicos.

O documento explica que o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da taxa neutra. O aumento da oferta de poupança e a redução do custo são em grande parte, na avaliação do comitê, desenvolvimentos de caráter permanente.

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(Com agências Estado e Reuters)

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