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Argentina congela preços para conter inflação e estimular consumo

Governo Macri lança pacote de medidas para tentar reativar a economia; especialistas veem plano apenas como um paliativo no curto prazo

Por Por Redação - Atualizado em 17 Apr 2019, 18h18 - Publicado em 17 Apr 2019, 16h13

O governo da Argentina anunciou nesta quarta-feira, 17, uma série de medidas com o objetivo de controlar a inflação elevada e reativar o consumo no país. O presidente, Mauricio Macri, que tenta a reeleição em outubro deste ano, decidiu congelar os preços de cerca de sessenta produtos básicos e conter os aumentos das tarifas dos serviços públicos, em uma tentativa de frear a inflação, que acumula aumento de 55% nos últimos doze meses. 

As medidas fazem parte de plano acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Elas complementam a decisão da terça-feira 16, do Banco Central da Argentina (BCRA), de congelar a banda cambial para o peso até o fim deste ano. O objetivo é fazer um aperto na política monetária para ajudar a conter os preços no varejo.

Em meio à crise cambial do ano passado, Macri buscou ajuda do FMI, com o qual acertou uma linha de crédito de 56 bilhões de dólares (aproximadamente 200 bilhões de reais). Vários candidatos da oposição à Presidência já disseram que vão rever o acordo, se eleitos.

A Argentina sofre com inflação alta há décadas, mas a depreciação do peso, a moeda local, em 2018 alimentou os ajustes de preços — incluindo tarifas de serviços públicos que são reguladas pelo governo—, que ainda permanecem.

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“As medidas principais que estamos lançando são fruto de um acordo com empresas líderes para manter por ao menos seis meses os preços de sessenta produtos essenciais e o congelamento de tarifas de serviços públicos para este ano”, informou o governo, em comunicado.

Entre os produtos que manterão seus preços sem aumentos durante seis meses, estão azeite, arroz, farinhas, leite, iogurte e açúcar, além de alguns cortes de carne bovina. Já entre os serviços públicos que não sofrerão aumento, estão eletricidade, gás, transporte público e telefonia móvel.

O governo argentino anunciou que não haverá aumento nesses serviços e que assumirá a diferença com algumas das empresas que os fornecem. Além disso, famílias que já recebem ajuda social terão acesso facilitado a crédito. 

Entre outras medidas anunciadas, estão benefícios fiscais para as pequenas e médias empresas e descontos em diversas áreas. Aposentados e pensionistas terão descontos de 10% a 25% na hora de comprar alimentos, roupa, eletrodomésticos e material para construção e de 20% a 70% na aquisição de medicamentos em farmácias.

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As medidas foram anunciadas semanas depois de ter sido registrado um aumento na pobreza no país, que chegou a 32%, como resultado da alta inflação -que só em março foi de 4,7%- e da queda da atividade econômica. 

Segundo economistas ouvidos pelo jornal argentino El Cronista, as medidas anticrise são apenas um paliativo de curto prazo, com o objetivo de posicionar melhor o presidente para as eleições de outubro. “O primeiro impacto que essas medidas podem ter na economia e na atividade será relativamente baixo. É uma maneira de continuar empurrando os problemas estruturais adiante”, afirmou o economista Diego Martínez Burzaco ao jornal.

Após as medidas anunciadas, o peso argentino avançava nesta quarta-feira, o que dava alívio ao governo. No entanto, o mercado de ações e os títulos caíam, e o risco-país subia.

Até meses atrás, analistas davam como certa a reeleição de Macri nas eleições de outubro, mas sua imagem sofreu um abalo nas pesquisas, que agora são lideradas pela ex-presidente de centro-esquerda Cristina Kirchner.

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“Nós vamos vencer essa batalha”, disse Macri, nesta quarta-feira, em vídeo transmitido pelo governo, no qual ele é mostrado conversando com um casal de cidadãos na sala de sua casa.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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