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Apple x Petrobras: 200 bilhões de dólares a zero

Por que os acionistas da Apple serão remunerados com uma montanha inédita de dinheiro e os da Petrobras não vão receber nem um mísero centavo

Por Giuliano Guandalini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 30 jul 2020, 21h34 - Publicado em 1 Maio 2015, 01h00

O ano de 2007 foi definidor para duas das maiores empresas mundiais. Em janeiro, Steve Jobs, o então presidente da Apple, apresentou o iPhone, o primeiro celular a explorar verdadeiramente as potencialidades da internet móvel e a sua integração ao dia a dia das pessoas. Meses depois, a Petrobras anunciou a descoberta do campo de Tupi, na Bacia de Santos, uma fronteira promissora de exploração sob a camada de sal, a quilômetros de distância da costa e a milhares de metros abaixo do leito do oceano. Recentemente, as duas empresas voltaram a dar notícias extraordinárias. A Petrobras divulgou uma perda contábil superior a 40 bilhões de reais. Como consequência, não pagará nem um único tostão em dividendos aos seus acionistas em 2015. Poucos dias depois, a Apple noticiou um lucro de 13,6 bilhões de dólares no primeiro trimestre, em uma alta de 33% em relação ao mesmo período do ano passado. Seu atual presidente, Tim Cook, informou que, graças aos resultados espetaculares, a empresa colocará no bolso de seus acionistas 200 bilhões de dólares, na forma de pagamento de dividendos e recompra de ações.

Por um breve período, conforme mostra o gráfico abaixo, a estatal brasileira viu suas ações se valorizarem fortemente. Era tida como a única empresa do setor a descobrir novas fontes promissoras de petróleo, em um período de alta valorização do produto, com cotações acima dos 100 dólares o barril. “Ganhamos um bilhete premiado”, festejou o governo. Depois de atingirem um pico em 2008, contudo, as ações entraram em declínio contínuo. Parte da desvalorização se deve à queda no preço do petróleo. Apenas para efeito de comparação, em 2008 eram necessários apenas cinco barris para a compra de um iPhone; hoje são necessários doze. Isso explica, entretanto, uma ínfima parte das dificuldades da empresa brasileira. Enquanto a Apple manteve uma estratégia sólida de longo prazo de desenvolvimento de seus produtos, privilegiando sempre a manutenção de seus elevados índices de lucratividade, a Petrobras, forçada pelo governo, lançou-se em um plano megalômano e tresloucado de investimentos que, mesmo que não fosse corroído pela corrupção, teria tudo para fracassar. A brasileira, cujo valor de mercado foi superior ao da Apple, hoje vale menos de um décimo da americana. Apenas o dinheiro em caixa da atual mais valiosa empresa do mundo daria para comprar todas as ações da Petrobras, e ainda sobraria um “troco” de 130 bilhões de dólares.

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