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Apesar de temor global, dólar recua para R$ 4,05 e bolsa tem queda de 0,3%

Moeda acumula valorização de 6,1% neste mês, a caminho da maior alta mensal desde agosto do ano passado

Depois de dias turbulentos, o mercado financeiro brasileiro teve uma terça-feira mais pacífica, com queda do dólar e a bolsa fechando perto da estabilidade. Nesta terça, 20, o dólar recuou 0,4%, sendo vendido a 4,05 reais. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,25%, a 99.222 pontos. 

Os mercados continuam atentos a possibilidade de recessão global e na guerra comercial de EUA e China. Nesse contexto de monitoramento, o dólar teve ajuste técnico, devido à forte alta na véspera, quando foi a 4,07 reais, maior valor desde maio.  A desvalorização da moeda americana foi global. Um índice que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas recuava 0,19%. O dólar caía ante 24 dentre 33 pares, com moedas emergentes, como peso colombiano, rand sul-africano e peso chileno liderando os ganhos, numa correção parcial depois de firme desvalorização na véspera.

Neste mês, o dólar acumula alta de 6,14%, a caminho da maior valorização mensal desde agosto do ano passado, quando havia subido 8,46%. O aumento dos temores de desaceleração forte em importantes economias, chances de os Estados Unidos cortarem os juros em ritmo mais lento e a crise na Argentina compõem o quadro desfavorável ao real neste mês.

“Quando o peso argentino cai 20%, não há nada de idiossincrático nisso. (O movimento) faz com que as moedas de grandes parceiros comerciais se apreciem, mas elas vão precisar se desvalorizar também”, disse no Twitter Robin Brooks, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês). “Além disso, faz com que os mercados vendam outros emergentes, já que vender a Argentina é difícil. Como em 2018, o contágio é mais forte para Brasil e Turquia”, acrescentou.

Bolsa

A preocupação com mercados globais fez o Ibovespa operar o dia em baixa, chegando a cair quase 1%, mas teve estabilização mais para o fim da tarde. Para analistas da Levante Investimentos, o ambiente global tenso faz investidores internacionais enxergarem mais riscos em mercados emergentes, motivando uma fuga de recursos do país e, com isso, a queda da bolsa.

Números sobre as negociações dos estrangeiros na bolsa paulista mostram saldo negativo de 20 bilhões de reais em 2019 no mercado secundário, maior saída líquida em 23 anos. Apenas em agosto, a saída supera a entrada em 9,6 bilhões. Segundo a Coinvalores, o mercado segue monitorando a atuação dos bancos centrais para conter os riscos relacionados à desaceleração econômica global. Esse pano de fundo com medidas no radar favorece expectativas de fluxo para emergentes.

Nesta semana, as atenções do mercado estão voltadas para a agenda do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), com a divulgação na quarta-feira da ata de sua última reunião de política monetária, enquanto no fim da semana começa o simpósio anual de Jackson Hole, onde várias autoridades se reunirão para discutir as questões atuais da economia mundial.