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ANJ condena projeto argentino que prevê controle estatal do papel-jornal

Brasília, 19 dez (EFE).- A Associação Nacional de Jornais (ANJ) considera ‘extremamente preocupante’ uma decisão da Câmara dos Deputados da Argentina, que declarou de interesse público a fabricação, comercialização e distribuição do papel usado pelos periódicos impressos.

‘O projeto dará ao governo argentino o poder de limitar o acesso das empresas jornalísticas ao papel, numa evidente ameaça à liberdade de imprensa’, diz uma nota no site da ANJ. ‘É inadmissível a disposição das autoridades argentinas, já demonstrada em outras oportunidades, de coagir e interferir na atividade jornalística’.

A entidade destaca ainda que ‘essa permanente postura de confronto com os jornais é fruto do autoritarismo e da dificuldade de convivência com a crítica, essencial nas sociedades democráticas’.

A ANJ expressa solidariedade com os jornais argentinos diante do projeto e manifesta sua esperança de que o projeto não seja aprovado, ‘em benefício dos cidadãos desse país, os maiores prejudicados com o cerceamento à liberdade de expressão’.

O projeto de lei, que ainda deve ser discutido no Senado, foi proposto pelo governo da presidente Cristina Kirchner e, na semana passada, foi aprovado na Câmara dos Deputados por 134 votos a favor, 92 contra e 13 abstenções.

Os deputados aprovaram a iniciativa um dia após a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressar sua preocupação e rejeição ao projeto, por considerar que ele representa uma ameaça para a liberdade de imprensa, tal como afirmam todos os grandes grupos multimídia argentinos.

A campanha de Cristina busca regular os trabalhos da empresa Papel Prensa, única fornecedora de papel-jornal do país. A companhia tem como principais acionistas os dois maiores jornais do país – ‘Clarín’ (49%) e ‘La Nación’ (22,49%) -, que criticam o governo pelo projeto. EFE