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Agronegócio perde R$ 10 bilhões com estiagem e excesso de chuvas

Seca intensa no Centro-Sul e excesso de chuvas no Mato Grosso já afetam lavouras de soja, milho, café, cana, laranja e pecuária de corte e leite

Por Da Redação - 2 mar 2014, 13h24

A forte seca que castiga o Centro-Sul e o excesso de chuvas no Centro-Oeste do país já tiraram cerca de 10 bilhões de reais de receita do agronegócio em 2014, segundo cálculos feitos por analistas. Soja, milho, café, cana, laranja, pecuária de corte e de leite registram queda na produtividade e alta nos preços – o que pode ter impacto na inflação.

A soja, que está em plena época de colheita, resume a grande confusão que o clima provocou no campo. No Centro-Sul, a lavoura penou com o sol escaldante, a falta de chuva e as altas temperaturas. Em Mato Grosso, o maior Estado produtor, é o excesso de chuvas que impede a colheita, afeta a qualidade do grão e agrava os problemas logísticos. O preço da soja voltou no mês passado ao patamar de 14 dólares por bushel na Bolsa de Chicago, revertendo as expectativas de queda que existiam por causa da entrada da supersafra brasileira no mercado.

No Paraná, o segundo maior produtor, já se sabe que com a seca houve queda média de 13% na produtividade. Dos 16,5 milhões de toneladas previstas, pouco mais de 2 milhões já se perderam. Pelas estimativas da Secretaria Estadual de Agricultura, haverá redução de 2,2 bilhões de dólares na receita. “Mais do que a estiagem em si, o grande problema foi o calor que prejudicou a formação das vagens”, diz Francisco Carlos Simioni, chefe do Departamento de Economia Rural.

Perspectivas climáticas – O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que as chuvas de março no Sudeste/Centro-Oeste, principal região para abastecimento dos reservatórios das hidrelétricas do país, devem representar 67% da média histórica para o mês, volume que não deve trazer alívio nas preocupações sobre um eventual racionamento de energia.

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O ONS informou nesta sexta-feira que para março “prevê-se afluências superiores às verificadas em fevereiro, em todos os subsistemas, embora, apenas para o subsistema Norte, estejam previstas afluências superiores à média do mês de março”.

Em fevereiro, as chuvas no Sudeste/Centro-Oeste tiveram o segundo pior volume do histórico e no subsistema Nordeste foi o pior volume já registrado.

As previsões iniciais de chuva têm decepcionado nos últimos meses. Para janeiro, a estimativa era de chuvas equivalentes a 96% da média histórica, quando o que se realizou foi 54%, segundo o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos. Já em fevereiro, as chuvas devem fechar em 39% da média histórica, quando a previsão inicial era de que chovesse 55% da média.

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Analistas do Citi escreveram em relatório nesta sexta-feira que com as chuvas de fevereiro fechando a 39% da média histórica para o mês implicaria necessidade de chuvas equivalentes a cerca de 90% da média para que as reservas de água nos reservatórios não caiam abaixo do mínimo nível de segurança em março a dezembro.

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O diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rego, considera que se o nível dos reservatórios na região Sudeste não melhorar ao longo do mês de março, mantendo-se no patamar atual de 35%, o país ficará muito próximo do nível do racionamento de 2001. “E se chegar abaixo de 30% em março e abril, traz uma preocupação extrema, e o racionamento fica quase inevitável”, disse ele.

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, disse em meados de fevereiro que seria necessário chover 76% da média para os meses de março e abril para que os reservatórios do Sudeste cheguem a um nível de 43% ao fim de abril – o que asseguraria o fornecimento de energia.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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