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Abimaq: dólar a R$ 1,90 não impacta na competitividade

Por Wladimir D’Andrade

São Paulo – A recente alta do dólar e a última redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) em 0,5 ponto porcentual não foram suficientes para mudar o cenário de perda de mercado da indústria de máquinas e equipamentos. A opinião é do chefe de gabinete da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Lourival Franklin Júnior, que acredita que o dólar perto dos R$ 2,10 daria condições mais competitivas à indústria nacional. Além disso, afirmou, a Abimaq está cética quanto à redução da Selic para um dígito em 2012.

De acordo com Franklin Júnior, mesmo com a Selic abaixo de 10%, o Brasil terá um dos maiores juros do mundo. “O Banco Central, apesar desta última redução (em agosto) é conservador. Não sei se teremos essa taxa de um dígito em 2012”, afirmou. No entanto, ele disse esperar que o Comitê de Política Monetária (Copom) seja mais ousado na reunião deste mês e que corte a taxa básica em um ponto porcentual, para 11% ao ano. Ele afirmou ainda que a queda da Selic terá como consequência a diminuição do capital especulativo que entra no País e, junto com ajustes fiscais promovidos pelo governo, a tendência é de uma alta natural do dólar.

Franklin Júnior contou que a Abimaq busca junto ao governo federal outras ações para fortalecer a indústria nacional, como a desoneração da folha de pagamentos e medidas protecionistas. “O mercado interno brasileiro talvez seja o último peru gordo do mundo”, disse, em relação à invasão de produtos importados no Brasil. Nesse sentido, ele afirmou apoiar as iniciativas do governo Dilma Rousseff em taxar veículos que não contenham um mínimo de 65% de conteúdo nacional e reclamou das queixas feitas por autoridades da União Europeia (UE), ontem, à presidente em relação às medidas protecionistas. “O mundo todo faz isso e o Brasil é que quem tem de ser o bonzinho da história?”, questionou. “A Abimaq vê o empenho da presidente”, completou.

Franklin Júnior disse ainda que a entidade negocia com o governo proteção para 60 produtos nacionais contra a concorrência externa dentro do mercado brasileiro. Segundo ele, a entidade identificou ao todo 814 produtos nacionais do setor que enfrentam perda de competitividade. Ele, porém, se recusou a informar que ações estão sendo negociadas, mas disse que dentro de dez dias terá novidades para anunciar.

Os dados divulgados hoje pela Abimaq mostram que o setor aumentou seu faturamento em 9,1% em agosto ante o mesmo mês do ano passado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que a produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) cresceu 8,6% na mesma base de comparação. Apesar desses números, a Abimaq insiste que há no Brasil um processo de desindustrialização. Segundo Franklin Júnior, 2010 é uma “base fraca” de comparação e que nestes números estão presentes uma grande quantidade de componentes e máquinas prontas importadas. “Se tivesse realmente ocorrendo formação bruta de capital fixo a gente teria que estar crescendo acima de 10%”, concluiu.