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A tendência dos juros e ações no Brasil com a vitória de Biden

Senado republicano deve frear gastos e manter os juros americanos baixos; isso explica a tendência de alta do Ibovespa, já percebida nesta segunda-feira

Por Luisa Purchio 9 nov 2020, 15h25

Os desdobramentos da eleição de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos, bem como a composição do Congresso da maior economia do mundo mexeram com o ânimo dos investidores em todo o mundo: não há desdobramento apenas no vai e vem das bolsas, que sobem forte nesta segunda-feira, mas como a mudança política nos Estados Unidos pode impactar economias globais a longo prazo. Se a Casa Branca está com o partido democrata e a Câmara dos Representantes, também tem maioria do lado azul, a realidade deve ser diferente no Senado. A disputa ainda está empatada, com 48 senadores eleitos democratas e 48 republicanos, e a definição ainda levará um certo tempo para acontecer. Mas, há maior chance de a casa permanecer com maioria republicana. Isso pode favorecer um cenário de juros baixos no Brasil, o que é positivo para o crescimento do país e, consequentemente, para o equilíbrio fiscal.

Caso um partido de oposição realmente prevaleça no Senado, o democrata Joe Biden terá mais dificuldades para aprovar uma política fiscal expansionista. Antes das eleições, os democratas defendiam na Câmara um pacote de benefícios fiscais no valor de 2,2 trilhões de dólares, enquanto o Senado havia proposto inicialmente benefícios no valor de 1 trilhão de dólares.

Sem benefícios fiscais dados diretamente pelo governo, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, terá de continuar com sua política de estímulos para incentivar o crescimento da economia americana. Dessa forma, de acordo com as projeções mais recentes do FMI, o país encerrará o ano com um PIB negativo de 4,3%. Tal cenário indica que a perspectiva é que os juros básicos dos EUA permaneçam em 0,25% ou caiam ainda mais. Depois de ocorrer a definição da eleição americana e a redução das incertezas, a taxa dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) disparou na última semana e os Bonds de 10 e 30 anos atingiram a taxa mais alta desde março.

“Os EUA são o ponto de partida dos juros global, não só do Fed, mas também do mercado, por meio da taxa dos Treasuries”, diz Silvio Campos Neto, sócio da consultoria Tendências. “A sinalização de que eles ficarão mais baixos ajudam que o mesmo ocorra no mundo todo e, principalmente, nos emergentes, que são mais sensíveis.” Em tradução para o leigo, os países emergentes precisam manter sempre as suas taxas de juros acima da praticada pelo governo americano, uma vez que suas economias trazem mais riscos para o investidor. Se os EUA sobem as suas taxas, os emergentes precisam subir também para preservar a diferença parecida. Já, se o Fed pratica juros mais baixos, uma país como o Brasil pode ter a Selic mais baixa, estimulando a própria economia. Todo esse cenário permitiu que o Ibovespa apontasse alta forte desde o início do pregão desta segunda-feira, refletindo altas nas bolsas por todo o mundo. Às 15 horas, a alta era de 2,82%.

Com a perspectiva de menores juros básicos nos Estados Unidos, a tendência é que no Brasil a Selic, atualmente em 2%, também fique mais baixa por mais tempo. Além de taxas baixas incentivarem mais investimentos nas empresas e mais entrada de recursos nas bolsas de valores, elas auxiliam o Tesouro a manejar melhor a dívida pública do país, fundamental em um momento em que a relação dívida/PIB sobe para quase 100% devido ao aumento dos gastos públicos com a crise sanitária e econômica causada pela Covid-19. “Juros altos pioram a dívida. Se a gente ainda estamos vivos até agora em solvência e endividamento, é porque a Selic está baixa. Hoje conseguimos nos financiar com 2,5% ao ano”, diz Campos Neto, da Tendências.

IMPACTO POLÍTICO

Apesar desse otimismo, especialistas alertam que há ainda um outro fator decorrente das eleições americanas que podem mexer com a Selic no país: a influência política que a vitória de Biden pode causar no presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. De olho nas eleições de 2022, Bolsonaro mudou sua estratégia política depois que se aliou ao centrão, com uma estratégia política baseada em mais gastos públicos, o que já alavancou sua popularidade, principalmente no Nordeste. Ao ver a queda de Trump, seu principal par político internacional, Bolsonaro pode querer acirrar essa estratégia ainda mais. “O jogo já começou, e começou pesado. Talvez a política fiscal fique refém de 2022”, diz André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton.

 

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