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A inflação está aí: índices para o produtor e consumidor continuam a subir

IGP-M, que reajusta o aluguel, tem maior alta para março desde 1994; já o IPP, que mede a inflação na porta da fábrica, é o maior para fevereiro desde 2014

Por Larissa Quintino Atualizado em 30 mar 2021, 13h21 - Publicado em 30 mar 2021, 09h44

A pressão inflacionária não era um problema, mas virou. A frase usada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para falar com seus auxiliares sobre a preocupação da alta dos preços é bem traduzida a cada novo indicador de inflação divulgado.

Nesta terça-feira, 30, dois índices mostram a pressão. O IGP-M, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e usado para reajustar contratos de aluguel, avançou em março 2,94%, maior marca para março desde 1994. Já o IPP, o índice de preços ao produtor do IBGE, ficou em 5,22% em fevereiro, a maior alta da série histórica, iniciada em 2014.

A conjuntura de real desvalorizado e alta das commodities continua sendo decisiva nos preços. Felipe Figueiredo Câmara, técnico da pesquisa do IBGE, explica que a depreciação cambial é um dos fatores importantes, atingindo 25% no acumulado de 12 meses. Com isso, há um efeito sobre toda a cadeia produtiva porque afeta os insumos importados. Ao mesmo tempo, há um cenário de comércio exterior em que os preços das commodities minerais – óleo bruto de petróleo e minério de ferro –, cotados em moeda estrangeira, também estão subindo. Com isso, o IPP acumula altas recordes de 8,95% no ano e de 28,58% nos últimos doze meses.

Os combustíveis, por exemplo, exemplificam bem esse movimento. André Braz, coordenador do IGP-M, explica que eles colaboram tanto na alta dos preços para o produtor quanto para o consumidor. No IGP-M de março, os itens que mais pesaram para o consumidor foram gasolina (11,33%), etanol (16,64%) e gás de botijão (4,23%). Já no atacado, foram o óleo diesel (25,87%) e a gasolina (23,81%). O IGP-M acumula alta de 8,26% no ano e de 31,10% em 12 meses. É a maior taxa para doze meses desde maio de 2003 (31,53%).

  • A preocupação com a pressão inflacionária fez com que o Banco Central elevasse a taxa de juros, a Selic, pela primeira vez desde 2015. O instrumento é utilizado na política monetária para tentar equilibrar os preços de acordo com a meta de inflação. Com juros mais caros, o consumo é desestimulado. Porém, em um cenário com atividade econômica baixa e risco fiscal elevado, o remédio é amargo. O risco é a chamada estagflação — combinação temerária de estagnação econômica com inflação, pesadelo dos economistas, porque é um cenário difícil de se sair.

    Índice oficial

    O IGP-M e o IPP não são usados como índices oficiais de inflação. O oficial é o IPCA, que mede os preços a famílias brasileiras que recebem até 40 salários mínimos.

    O IGP-M, tem apresentado grande descompasso em relação ao IPCA (apesar de haver a pressão em ambos). Para entender esse fenômeno, é importante entender a formação do o IGP-M. O índice é formado por três outros índices com pesos diferente: o IPA (índice de preços do atacado) representa 60%, o IPC (índice de preços do consumidor), 30%, e o INCC (índice nacional de custo da construção) fica com 10%. Alguns especialistas defendem que esse último, por ser mais relacionado ao mercado imobiliário, é o que deveria servir para indexar contratos de aluguéis em vez do próprio IGP-M.

    Já o IPP, medido pelo IBGE, mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e de transformação. 

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