A ata do Copom deixou claro que o Banco Central começa a enxergar luz no fim do túnel após um longo período de aperto monetário. Para Daniel Telles, gestor da Valor Investimentos, o documento apenas confirma o que já vinha sendo indicado nas comunicações recentes. “Abre-se sim esse espaço para o corte em março”, afirma. Segundo ele, a autoridade monetária segue cada vez mais “data driven” e só chegou até aqui depois de um “trabalho duro, rígido”, com a Selic estacionada em 15%.
A divergência aparece quando o debate entra na intensidade desse primeiro passo. O professor Ricardo Rocha aposta em cautela. “Eu cravaria em um corte de 0,25 porque o Banco Central vai acompanhar o que está acontecendo”, diz. Para ele, a taxa elevada cumpriu o papel de domar a inflação — ainda acima da meta — e agora o BC prefere testar o terreno com cuidado, especialmente em um país onde o fiscal segue sendo um ponto frágil.
Já Thiago Calestine, economista e sócio da DOM Investimentos, lê a ata com lentes mais ousadas, alinhadas ao que o mercado já precifica. “Vou ser um pouco mais agressivo e falar em 0,50”, afirma. Segundo o economista, as probabilidades embutidas nas opções do Copom mostram uma chance relevante de um corte maior, sinalizando que, depois de uma “longa noite” de juros elevados, o Banco Central começa a preparar o terreno para uma política monetária menos restritiva.





