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Corte de imposto sobre diesel não foi combinado com Ministério da Economia

Diagnóstico da pasta é que a crise não está na Petrobras, mas no rombo fiscal criado pela medida

Por Machado da Costa Atualizado em 19 fev 2021, 11h44 - Publicado em 19 fev 2021, 10h38

O mercado financeiro vê crise na Petrobras, após Jair Bolsonaro dizer que Roberto Castello Branco sofrerá consequências por ter tirado o corpo fora na relação com os caminhoneiros. Contudo, dentro do Ministério da Economia, a crise é outra: o Pis/Cofins sobre o diesel e o gás de cozinha.

A redução que Bolsonaro anunciou — impostos federais zerados permanentemente sobre o gás e por dois meses sobre o diesel — custa quase 3 bilhões de reais por mês e não foi combinada com a pasta de Paulo Guedes, disse uma pessoa muito próxima do ministro ao Radar Econômico. Parece pouco, mas este é o orçamento do Bolsa Família para 2021. E o presidente faz isso justamente num momento em que o Ministério busca uma solução para pagar 30 bilhões de reais para o auxílio emergencial.

É fato que o Ministério buscava uma solução para reduzir os dois impostos federais, conforme Bolsonaro havia prometido aos caminhoneiros como forma de debelar o movimento grevista do início do mês. Contudo, o aumento de combustível anunciado pela Petrobras, nesta quinta-feira, fez a categoria voltar a pressionar o governo — em um tom fora do comum — e assustou o presidente. Assim, Bolsonaro anunciou um projeto vazio, que não está concluído.

Na outra ponta da crise, a midiática, que envolve o presidente da Petrobras, o diagnóstico é de que como Bolsonaro já deu cartão vermelho para outros membros da equipe econômica e que depois ficou por isso mesmo. As mais evidentes envolveram Waldery Rodrigues, secretário da Fazenda, e André Brandão, presidente do Banco do Brasil. A diferença, disse esse assessor próximo de Guedes, é que Castello Branco é muito mais cabeça dura do que os colegas e isso pode atrapalhar sua recondução, prevista para a próxima terça-feira, 2.

Por outro lado, a frase que deflagrou a crise, de que a Petrobras nenhuma relação tem com a greve dos caminhoneiros — a qual ninguém ouviu —, foi desmentida pelo presidente da Petrobras. Ele pode ter sido alvo de fake news e Bolsonaro caiu nela como uma “tia do zap”.

No frigir dos ovos, onde parece haver crise, não deveria haver. Pois ela continua onde sempre esteve, no buraco orçamentário que só aumenta e que ainda se apresenta sem solução, conforme o Congresso continua a empurrar com a barriga a aprovação do orçamento para 2021.

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