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Vacina contra HPV reduz em 56% o número de meninas infectadas nos EUA

Apesar dos bons resultados, apenas um terço das jovens recebeu as três doses recomendadas da vacina

O número de adolescentes americanas infectadas com o vírus do papiloma humano (HPV), causador do câncer de colo do útero, caiu 56% desde 2006, quando foi introduzida a vacina contra o HPV nos Estados Unidos. A pesquisa, feita com jovens entre 14 e 19 anos, foi anunciada pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) e publicada nesta quarta-feira no periódico Journal of Infectious Diseases. Apesar dos bons resultados, apenas um terço das jovens recebeu as três doses da vacina.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Reduction in Human Papillomavirus (HPV) Prevalence Among Young Women Following HPV Vaccine Introduction in the United States, National Health and Nutrition Examination Surveys, 2003-2010

Onde foi divulgada: periódico Journal of Infectious Diseases

Quem fez: Lauri E. Markowitz, Susan Hariri, Carol Lin, Eileen F. Dunne, Martin Steinau, Geraldine McQuillan e Elizabeth R. Unger

Instituição: Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês)

Resultado: Com a introdução da vacina, 56% menos jovens entre 14 e 19 anos foram infectadas pelo vírus do papiloma humano (HPV)

O diretor dos CDC, Tom Frieden, descreveu os resultados como um alerta de que a vacina funciona e deve ser mais utilizada. “É possível que a vacina proteja uma geração contra o câncer, e nós temos que fazer isso”, disse Frieden.

Segundo ele, enquanto nos Estados Unidos apenas um terço das meninas recebeu as três doses recomendadas da vacina, em Ruanda, 80% das adolescentes foram vacinadas. “Nosso baixo índice de imunização representa 50.000 tragédias evitáveis – 50.000 meninas que estão vivas hoje vão desenvolver câncer de colo do útero ao longo da vida, e isso poderia ser evitado se tivéssemos conseguido um índice de vacinação de 80%”, afirmou o diretor.

Pesquisa – O estudo usou dados de uma pesquisa nacional para comparar as taxas de infecção por HPV antes do início da campanha de vacinação, com dados de 2003 a 2006, e depois dela, com dados de 2007 a 2010.

Lauri Markowitz, principal autora do estudo, afirmou que a diminuição da prevalência do vírus foi maior do que o esperado. Segundo ela, algumas razões que podem explicar esse resultado são: imunidade de rebanho (quando os benefícios da aplicação de vacinas são recebidos também por pessoas que não as tomaram), alta eficácia da vacina mesmo sem as três doses completas ou mudanças no comportamento sexual das jovens – fator que não foi medido pela pesquisa.

Nos Estados Unidos, a vacina contra o HPV é recomendada para meninos e meninas de 11 a 12 anos. Pesquisas recentes, no entanto, mostraram que apenas metade das meninas recebe a primeira dose – entre os meninos esse número é ainda menor. A recomendação é que sejam tomadas três doses da vacina, no decorrer de seis meses.

Segundo os CDC, a cada ano, 14 milhões de pessoas são infectadas com o vírus nos Estados Unidos. Acredita-se que o HPV provoque 19.000 casos de câncer ao ano entre as mulheres no país, sendo o câncer de colo do útero o mais frequente. Entre os homens, estima-se que o HPV cause 8.000 tumores por ano, sendo o câncer de garganta o principal deles.

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*O conteúdo destes vídeos é um serviço de informação e não pode substituir uma consulta médica. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.

(Com Agência France-Presse)