Dilma e Obama acertam parceria para vacina contra o zika

Governantes conversaram por telefone nesta sexta-feira sobre a epidemia da doença

A presidente Dilma Rousseff telefonou nesta sexta-feira ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para tratar da cooperação entre os países contra a epidemia do vírus zika, que afeta o país e já se espalha pelas Américas.

Segundo informou a Presidência em nota, os dois governantes acertaram a criação de um grupo de pesquisa entre os dois países para trabalhar no desenvolvimento de uma vacina contra a doença. O grupo terá como base uma parceria já existente entre o Instituto Butantan e o americano National Institute of Health, que trabalham juntos na busca por uma vacina contra a dengue, transmitida pelo mesmo mosquito do zika, o Aedes aegypti.

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“Os presidentes determinaram a realização de contatos entre a Departamento de Saúde dos EUA e o ministro da Saúde do Brasil, com o objetivo de aprofundar a cooperação”, disse a nota do Planalto.

Os EUA também se prontificaram a cooperar com o governo brasileiro em pesquisas sobre a relação entre o zika e a microcefalia. Equipes de cientistas americanos já estão no Brasil investigando os casos levantados por pesquisadores brasileiros.

Os EUA registraram o primeiro caso de microcefalia com suspeita de ligação ao zika há duas semanas, em um bebê cuja mãe teria contraído o vírus em uma viagem ao Brasil. Desde então, o Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) já emitiu alertas contra viagens de grávidas a 22 países das Américas, além de Cabo Verde, na África, e Samoa, na Oceania, onde também foram registrados casos da doença.

‘Perdendo a luta’ – No fim do ano passado, o Ministério da Saúde brasileiro confirmou a relação entre o vírus zika e a microcefalia. O país já tem mais de 4 mil casos suspeitos de microcefalia, mais de 30 vezes o que foi registrado em qualquer ano desde 2010.

Nesta sexta, a presidente Dilma mudou o discurso de negação e admitiu que o governo está “perdendo a luta” contra o mosquito. “Se eu dissesse que nós estamos ganhando a luta, nós estaríamos em uma fase mais avançada. Agora, nós vamos ganhar a luta. Nós vamos demonstrar que o povo brasileiro é capaz de ganhar essa guerra.” Há alguns dias, em sua passagem pelo Equador, Dilma disse justamente o contrário.

(Com agências Reuters e Estadão Conteúdo)