Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

O Brasil precisa ser passado a limpo, mas sem atropelos, diz Fux

Ministro afirma que STF, que não condenou ninguém ainda na Lava Jato, prioriza a operação, mas que é necessário respeitar o devido processo legal

Aos 64 anos, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), sorri nervoso quando perguntado sobre o ineditismo de uma denúncia por corrupção contra o presidente da República e diz acreditar que a depuração da classe política brasileira avançará com ênfase nas eleições de 2018. Indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT), chegou à vaga com a esperança petista de que iria “matar no peito” o julgamento do Mensalão. Foi implacável com as lideranças do PT. Fux é assertivo ao afirmar que todos os políticos denunciados na Operação Lava Jato serão julgados em até cinco anos e que o Supremo não admitirá a prescrição de nenhum caso. Em entrevista a VEJA, o ministro conta que, desde que assumiu o cargo, há pouco mais de seis anos, teve de abandonar uma de suas paixões, a guitarra (na juventude, ele integrou uma banda de rock), e mitigar outra, o jiu-jítsu (é faixa coral). Hoje, com a popularidade que a Lava Jato levou aos juízes, diz que sofre abordagens diárias durante as caminhadas matinais que faz no Lago Sul, o bairro onde mora em Brasília, ocasião em que ouve uma pergunta recorrente: “Quando é que o senhor vai prender aquela gente toda?”.

A Lava Jato em Curitiba desvendou o petrolão e já houve mais de uma centena de condenações. No Supremo, onde se julgam os políticos com foro privilegiado, não houve sequer uma única condenação até hoje. Quando é que o senhor vai prender aquela gente toda? Lá em Curitiba há uma vara especializada só nesse tema. Ela produz, no máximo, dez, quinze sentenças por mês. A competência do Supremo abarca todo o território nacional, todas as matérias possíveis e imagináveis, e nós temos de produzir uma média de 900 decisões por mês. Não temos só a Lava Jato para julgar.

No momento em que a sociedade clama por justiça, não seria o caso de o Supremo fazer alguma coisa para reverter esse quadro? Entendo que o Supremo esteja cumprindo o papel de dar prioridade à Lava Jato. A mudança de competência do plenário para as turmas também teve esse escopo de agilizar o julgamento, porque o Mensalão deixou um exemplo muito difícil, com o plenário mobilizado por seis meses durante todos os dias da semana. Não queríamos experimentar isso de novo. Mas não pode haver atropelos porque este é um momento em que o Brasil está sendo passado a limpo. É preciso respeitar o que se denomina de devido processo legal.

Leia esta reportagem na íntegra assinando o site de VEJA ou compre a edição desta semana para iOS e Android. Aproveite também: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no Go Read.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. É fácil protelar “as eternum” as decisões que beneficiárias 200 milhões dos trabalhadores que sustentam essa esbórnia que atende por Brasil quando temos garantias vitalicias de bom salário, aposentadoria plena, saúde de ponta ,etc. tudo o que os pagadores da conta não têm.

    Curtir

  2. E reforma política já, à propósito, para a qualificação do Congresso Nacional brasileiro.

    Curtir

  3. Não foi o ministro fux que usou a influência do cargo para ver a filha nomeada como desembargadora no Estado do Rio? ¡ Retíssimo, pero no mucho!

    Curtir