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CPI: Pagot diz ter pedido doações para a campanha de Dilma

Ex-diretor-geral do Dnit informou a parlamentares que buscou recursos com empreiteiras após pedido do tesoureiro da campanha

O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, disse nesta terça-feira à CPI do Cachoeira ter arrecadado com empreiteiras de 5,5 milhões de reais e 6 milhões de reais para a campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Confrontado com um pedido do tesoureiro do PT nas eleições de 2010, José de Filippi, Pagot confirmou que pediu recursos a pelo menos 12 empreiteiras para abastecer a campanha dilmista. Conforme o depoente, encaminharam recursos em favor de Dilma as construtoras Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Melo, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia e STE Engenharia. A interlocução com as grandes empreiteiras ficou, segundo ele, a cargo da tesouraria petista.

Embora tenha atuado como uma espécie de arrecadador pessoal de Dilma, o ex-diretor-geral do Dnit disse que não utilizou a estrutura do Dnit ou favorecimentos em obras como contrapartida às doações. Afirmou ainda que as contribuições da empresa foram declaradas à Justiça Eleitoral.

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“É uma ação pessoal minha. O Dnit não tem nada a ver com arrecadação de campanha. Foi uma coisa pessoal. Não conversei com diretores do Dnit sobre isso, não estabeleci percentuais”, relatou ele. O pedido de José de Filippi incluiu, conforme o depoimento de Pagot à CPI, abordagens tanto para o caixa do primeiro quanto do segundo turnos da campanha.

“Nas conversas que tive com donos das empresas e procuradores, disse ‘vejam lá o que vcs podem fazer’. Muitas das empresas nem doaram”, afirmou. Confrontado com a possibilidade de ter praticado tráfico de influência, Pagot disse que sua participação como arrecadador da campanha pode não ter sido “ética”. “Reconheço que não foi ético da minha parte. Posteriormente fiquei bastante constrangido com isso e considerei que não era ético”, disse. Ele se recusou a classificar o pedido feito pelo tesoureiro petista.

Ideli Salvatti – Com dívidas a saldar, a função de Luiz Antonio Pagot como arrecadador de campanha também foi requisitada pela petista Ideli Salvatti, atual ministra de Relações Institucionais, e pelo ex-senador Hélio Costa (PMDB). Eles disputaram, e saíram derrotados, das eleições pelos governos de Santa Catarina e de Minas Gerais, respectivamente.

A atuação do ex-chefe do Dnit como captador de recursos para candidatos chegou a ser ironizada pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que sugeriu mudança na sigla da autarquia federal para “Departamento Nacional de Intermediação de Recursos para a Campanha”.

Em nota, a assessoria de Ideli afirmou que ela não solicitou a Pagot recursos para campanhas nem indicações de empresas. “Ideli esteve no Dnit diversas vezes, sempre para reuniões a respeito do andamento de obras no Estado de Santa Catarina”, diz a nota. Em seguida, Luiz Antonio Pagot informou que está disposto para uma eventual acareação com a atual ministra para esclarecer os fatos.

Vítima – Defenestrado do governo por sucessivas irregularidades no setor de tranportes, o ex-diretor-geral do Dnit começou o depoimento à CPI encenando o papel de vítima. Disse ter sido apeado do governo federal após um “complô” entre o então diretor da empreiteira Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu, e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Em sua versão, embora tenha informado não conhecer Cachoeira, ele perdeu o cargo no Dnit não por seus defeitos, mas por suas qualidades e proatividade. Na verdade, esse é só mais um ato da farsa de Pagot.

Na gestão de Pagot, a Delta multiplicou seus negócios, transformando-se na maior prestadora de serviços do governo, com faturamento superior a 3 bilhões de reais em contratos de rodovias, muitos deles eivados de irregularidades. Gravações telefônicas captadas pela Polícia Federal desmontam a tese do ex-diretor do Dnit. Os diálogos mostram que a quadrilha de Cachoeira estava muito preocupada com a demissão de Pagot, que após a divulgação das irregularidades foi convocado para depor perante uma comissão do Senado e ameaçava fazer revelações sobre o esquema de propina no ministério.