Nove temas da atualidade que podem cair no Enem e nos vestibulares de 2012/2013
Confira seleção de tópicos feita por professores de cinco cursinhos
Nathalia Goulart
Placa na Argentina diz "as Malvinas são argentinas"
(Marcos Brindicci / Reuters)
Eles não fazem parte do manual do candidato. Mas os estudantes já sabem que, para conseguir a aprovação nos vestibulares mais concorridos do país, incluindo o Enem, é preciso dedicar-se aos temas da atualidade. A leitura de sites, revistas e jornais, portanto, é prática obrigatória. "Os exames de seleção exigem que o aluno seja capaz de transcender a informação: ele deve saber interpretar os fatos, além de relacionar as novidades com o conteúdo aprendido em sala de aula. Em geral, não é preciso decorar nomes, datas e acontecimentos", diz Alberto Nascimento, coordenador do Anglo Vestibulares.
Não existem provas específicas de atualidades no Enem e nos vestibulares. O que há, de fato, são disciplinas como história e geografia fazendo uso de fatos recentes para abordar o que foi aprendido ao longo da vida escolar. A constante atualização auxilia no desenvolvimento de outra competência exigida pelos vestibulares, e também pelo Enem: a fluência na leitura. "O Enem traz enunciados longos e cheios de informação. Quem tem a leitura como hábito, atravessa com mais facilidade esse terreno arenoso, além de dispor de uma concentração mais apurada", afirma Elias Feitosa, coordenador de história e geografia do Cursinho da Poli.
Outra razão importante para que os candidatos mantenham o olho no noticiário é o fato de que as informações jornalísticas podem enriquecer a argumentação, tão valorizada na prova da segunda fase dos vestibulares e na redação. "Ou o candidato tem um bom repertório ou a dissertação não para de pé", diz Samuel Loureiro, professor de atualidades do Cursinho do XII.
Pata manter-se bem informado e preparado para a maratona de vestibulares, os professores dão algumas orientações. A primeira delas é filtrar os assuntos mais importantes do noticiário. O importante é identificar tópicos de relevância e aprofundar-se neles. "O problema de muitos alunos é que eles leem, mas não absorvem. Preocupados em decorar, se esquecem de interpretar a notícia", diz Célio Tasinafo, do cursinho Oficina do Estudante. Outra orientação é fazer da leitura um hábito. "Se não é possível acessar um portal ou ler um jornal todos os dias, ter em mãos uma publicação semanal é indispensável", diz Alex José Perrone, professor de atualidades do cursinho CPV.
Temas atuais que podem cair no Enem e vestibulares
Colaboraram: Alberto Nascimento (Anglo Vestibulares), Célio Tasinafo (Oficina do Estudante), Samuel Loureiro (Cursinho do XII), Elias Feitosa (Cursinho da Poli) e Alex José Perrone (CPV)
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Energia: acidente nuclear no Japão
Ativistas contrários ao programa nuclear levantam cartazes e velas para formar uma corrente humana em torno do Parlamento japonês, em Tóquio (Foto: AFP Photo/Jiji press)
Energia é assunto cuja presença é garantida nas provas. Os professores aconselham um estudo aprofundado sobre vantagens e desvantagens das diferentes matrizes energéticas do Brasil e dos principais atores globais. O acidente nuclear na usina de Fukushima, no Japão, após o terremoto seguido de tsunami que atingiu a costa nordeste do país, reacendeu a discussão sobre o assunto. Na Europa, a Alemanha fechou metade de suas usinas e pretende aposentar mais nove reatores até 2022. No Brasil, o Plano Nacional de Energia prevê a construção de quatro novas usinas até 2030, além de Angra 1 e 2, que já operam, e Angra 3, que deve ser inaugurada em 2015. Também no capítulo energia, vale lembrar as controversias causadas pela construção da usina de Belo Monte, no Pará. Planejada para ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, Belo Monte vem provocando reações de grupos de preservação, que questionam os impactos ambiental e humano.
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Energia: acidente nuclear no Japão
Ativistas contrários ao programa nuclear levantam cartazes e velas para formar uma corrente humana em torno do Parlamento japonês, em Tóquio (Foto: AFP Photo/Jiji press)
Energia é assunto cuja presença é garantida nas provas. Os professores aconselham um estudo aprofundado sobre vantagens e desvantagens das diferentes matrizes energéticas do Brasil e dos principais atores globais. O acidente nuclear na usina de Fukushima, no Japão, após o terremoto seguido de tsunami que atingiu a costa nordeste do país, reacendeu a discussão sobre o assunto. Na Europa, a Alemanha fechou metade de suas usinas e pretende aposentar mais nove reatores até 2022. No Brasil, o Plano Nacional de Energia prevê a construção de quatro novas usinas até 2030, além de Angra 1 e 2, que já operam, e Angra 3, que deve ser inaugurada em 2015. Também no capítulo energia, vale lembrar as controversias causadas pela construção da usina de Belo Monte, no Pará. Planejada para ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, Belo Monte vem provocando reações de grupos de preservação, que questionam os impactos ambiental e humano.
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Meio ambiente: Código Florestal, derramamento de petróleo e Rio+20
O desmatamento na região amazônica e a escassez de chuvas poderão transformar parte da floresta em savana (Foto: iStockphoto)
É bom preparar-se para questões sobre meio ambiente. O tema é recorrente no Enem e nos vestibulares. No Brasil, ainda tramita no Congresso Nacional o novo Código Florestal, que divide ambientalistas e ruralistas. Para os professores, é uma oportunidade para questionamentos sobre sustentabilidade, utilização de recursos naturais e até mesmo agronegócio. Dois derramamentos de petróleo no litoral brasileiro – o primeiro ocorrido em novembro de 2011 e o segundo anunciado em março de 2012 – também apontam para a discussão de questões ambientais. É importante não perder de vista o Rio+20, conferência que acontece em junho na capital fluminense vinte anos após a Eco92, histórica reunião que colocou o ativismo ambiental definitivamente no debate mundial.
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Meio ambiente: catástrofes naturais
Deslizamento de terra nos morros de Teresópolis (RJ) após fortes chuvas em 2011 - 12/01/2011 (Foto: Antonio Lacerda/EFE)
Do terremoto no Japão às enchentes que assolam cidades em diversas regiões do Brasil periodicamente, os desastres naturais devem ser olhados com atenção. Segundo os professores, é preciso diferenciar os acidentes causados pela ação humana – como o episódio da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro – daqueles operados pela força da natureza, como o terremoto que devastou parte do Japão. Em relação o primeiro exemplo, conceitos como urbanização, ocupação territorial desordenada e déficit habitacional devem ser estudados pelos candidatos. No segundo, movimentos de placas tectônicas e formação de tempestades tropicais precisam estar na ponta da língua.
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Tecnologia: internet
Governo sírio pretende bloquear sites de redes sociais com receio dos reflexos da onda de protestos no mundo árabe (Foto: Muzaffar Salman/AP)
Em 2011, "Viver em rede no século XXI" foi o tema da redação do Enem. A internet, ao que tudo indica, é um assunto que veio para ficar na avaliação federal e é possível que se estenda a outros exames de seleção. A utilização da ferramenta como catalisador de mobilizações sociais, como a Primavera Árabe, pode motivar questões objetivas. Para os professores, no caso do Enem, é importante ter uma visão crítica sobre tecnologia, já que o exame costuma cobrar um posicionamento claro dos candidatos.
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Geopolítica: papel do Brasil no cenário internacional
Dilma Rousseff durante fotografia oficial na Cúpula de Líderes do G20 - 4/11/2011 (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
A importância do Brasil enquanto ator global tem crescido nos últimos anos e os desafios que o país enfrenta enquanto potência emergente podem motivar questões nas provas. Desde o governo do ex-presidente Lula, o Brasil busca uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e os professores sugerem que os candidatos se debrucem sobre o funcionamento dessa importante organização internacional. Em 2012, a economia brasileira se consolidou como sexta maior do mundo e, por isso, é bom estar atento às principais atividades econômicas do país também. A tentativa frustrada de mediação de conflitos internacionais por parte do governo brasileiro também deve ser alvo de atenção.
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Crise econômica mundial
Placa no escritório da Comissão Européia, em Dublin, com os dizeres: 'Desculpe, estamos fechados' (Foto: Cathal McNaughton/Reuters)
A indisciplina fiscal e o descontrole das contas públicas em países da zona do euro, em particular na Grécia, arrastaram o bloco para uma crise financeira sem precedentes. Os gregos amargam altos índices de desemprego – mais da metade dos jovens não encontra trabalho. Em seguida, a Itália anunciou oficialmente a recessão de sua economia. Enquanto isso, a dívida pública bate recorde na Espanha. De acordo com os professores, é importante entender os caminhos que levaram o Velho Continente à crise e as consequências do cenário devastador, inclusive para o Brasil. Questões sobre blocos econômicos e a formação e solidificação da União Europeia também podem aparecer em exames deste ano.
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Geopolítica: 30 anos da Guerra das Malvinas
Placa na Argentina diz 'As Malvinas são argentinas' (Foto: Marcos Brindicci / Reuters)
As Ilhas Malvinas – Falkland para os britânicos – ficam a cerca de 500 quilômetros do litoral argentino, mas são administradas e ocupadas pela Grã-Bretanha desde 1883. Isso já trouxe tensão entre os dois países, que entraram em guerra em 1982. Derrotada em dois meses de conflito, a Argentina se rendeu e os britânicos seguiram como donos do território, onde hoje vivem hoje cerca de 3.000 pessoas. Recentemente, a presidente argentina, Cristina Kirchner, decidiu reclamar novamente a soberania sobre a ilha, o que reacendeu a tensão internacional. O assunto pode suscitar questões sobre a ditadura argentina ou as antigas colônias britânicas, como a Índia. O governo da premiê Margareth Tatcher, que liderou a vitória da Grã-Bretanha na guerra, também pode aparecer no Enem.
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Geopolítica: Primavera Árabe
Em manifestação em Sanaa, mulher exibe mãos pintadas com cores das bandeiras da Líbia e do Iêmen (Foto: Mohammed Huwais/AFP)
A onda de protestos que varreu do poder o tunisiano Zine El Abidine Ben Ali e o egípcio Hosni Mubarak alcançou o norte da África e diversos países do Oriente Médio. A agitação em nações como Síria e Líbia pode motivar questões conceituais sobre a região e seus conflitos, assim como a utilização da internet como ferramenta de organização social. Perguntas envolvendo a Guerra Fria e disputas pelo domínio do petróleo também podem aparecer. Para os professores, um aspecto importante das revoltas no mundo islâmico é a participação das mulheres, que lutam para ganhar espaço na região.
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Cidadania: eleições municipais
A urna eletrônica utilizada durante as eleições brasileiras (Foto: Nelson Junior)
Em outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher prefeitos e vereadores. De acordo com os professores, questões sobre o processo eleitoral brasileiro e comparações entre diferentes momentos da história do Brasil podem aparecer nas provas. É importante ter em mente a divisão política e administrativa do país e as atribuições de casa um dos poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.