Política monetária

Crédito supera 50% do PIB, mas expansão é menor em 3 anos

Apesar da alta de 16,2% no ano, volume de empréstimos acompanhou desaceleração da economia e o ritmo de expansão em 2012 foi menor que nos dois anos anteriores

Empresa de crédito pessoal no centro de São Paulo

Empréstimos para pessoas físicas somaram R$724 bilhões, alta 11,2% no ano (Roberto Setton)

O estoque de crédito no Brasil chegou a 2,36 bilhões de reais em dezembro, crescimento de 16,2% no ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira. A alta ajudou o crédito a superar a barreira de 50% do Produto Interno Bruto (PIB), no entanto, expansão foi a menor em três anos. O país encerrou o ano passado com a relação de 53,4% de empréstimos sobre o PIB, superior a 2011 (49%) e 2010 (45,2%).

A desaceleração da economia, porém, impactou no ritmo de expansão do crédito. Em 2012 houve retração de quase 3 pontos porcentuais sobre o ano anterior, quando o crescimento havia sido de 19%. Em 2010, o crescimento foi de 20,6%. Segundo o BC, o que levou o ritmo de expansão a cair em relação aos anos anteriores - mesmo com a trajetória de queda da taxa de juros e dos spreads bancários - foi, principalmente, o arrefecimento da atividade econômica e seus impactos sobre as expectativas de empresários e consumidores.

A expansão do crédito habitacional e as contratações do BNDES foram as princiais causas para a evolução do saldo de crédito. As operações de crédito nos bancos públicos em dezembro cresceram, atingindo 47,6% do total, ante 43,5% em dezembro de 2011 - aumento de 4,1 pontos porcentuais. Os bancos privadas diminuíram a participação nos empréstimos, com 36,1% das operações, redução de 3 pontos porcentuais em relação a dezembro de 2011. Bancos estrangeiros ficaram com 16,3% da fatia, queda de 1 ponto porcentual.

Veja também: Crédito imobiliário cresce 38,2% em 2012, diz BC
Taxa de inadimplência volta a subir

Os empréstimos para pessoas físicas somaram 724 bilhões de reais, alta de 0,9% no mês e 11,2% no acumulado do ano. Já os desembolsos do BNDES alcançaram 156 bilhões de reais em 2012, superando em 12% a quantia liberada no ano anterior. O desempenho refletiu no aumento de 9% nos financiamentos à indústria, com 48 bilhões de reais, com destaque para os ramos de papel e celulose, química e petroquímica e mecânica, bem como o crescimento de 51% no segmento de comércio e serviços, que atingiu saldo de 44 bilhões de reais. 

Os recursos alocados à infraestrutura somaram 53 bilhões de reais, recuando 6% no ano. A maior redução aconteceu no setor de transporte rodoviário. As consultas formuladas ao BNDES cresceram 60% em 2012 e totalizaram R$312 bilhões, sinalizando perspectiva positiva para os investimentos do setor produtivo em 2013.

Juros em ritmo de queda

As taxas de juros para operações de crédito referenciais, ou seja, que não são ligadas a nenhuma linha específica, como habitação, caíram para 28,1% ao ano em dezembro, ante 28,9% do mês anterior - é a décima queda consecutiva e o menor patamar da série histórica, que começou em 2000.

Para pessoa física, a taxa caiu para 34,6% ao ano em dezembro, ante os 34,8% do mês anterior. Já as taxas para pessoa jurídica caiu de 21,7% ao ano para 20,6% em dezembro. 

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