Selic

BC pode elevar taxa de juros em 2013, diz agência

Segundo fonte ouvida pela Reuters, alta da Selic será necessária para permitir o cumprimento da meta de inflação

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

O Banco Central vai elevar a taxa básica de juros Selic em 2013 para viabilizar o cumprimento da meta de inflação, apesar da posição do Ministério da Fazenda, que não vê necessidade de elevação, afirmou à Reuters uma fonte da equipe econômica. "O Banco Central não trabalha com meta de taxa de juros, nem com trajetória futura de taxa de juros. O Banco Central trabalha com o regime de meta de inflação, tem que cumprir a meta de inflação", disse a fonte, que pediu para não ser identificada. "Esse é o objetivo do Banco Central. Para isso, se é preciso subir os juros, vai ter que subir", acrescentou.

A meta de inflação deste ano e de 2013 é de 4,5%, com 2 pontos porcentuais de tolerância. A Selic está 7,5%, seu nível mais baixo. Em entrevista publicada no último domingo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que "não há necessidade de alta de juros", ao ser perguntado sobre 2013. "A inflação está sob controle", acrescentou o ministro. Na segunda-feira, em evento em São Paulo, o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, foi na mesma linha.

Desde que o Banco Central iniciou o atual ciclo de afrouxamento monetário, em agosto de 2011, alguns críticos têm dito que o BC tem deixado de lado o regime de metas de inflação, sem se preocupar com seu cumprimento, e focado no crescimento econômico.

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O BC, de seu lado, tem defendido que a política monetária está alinhada com a convergência da inflação para o centro da meta. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, admitiu que essa convergência pode não ocorrer de forma homogênea.

O comentário foi feito uma semana depois da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que registrou alta de 0,41%, o que levou a inflação acumulada em 12 meses a 5,24%, a mais alta desde março. "Se a inflação não seguir a trajetória esperada, se subir acima da meta, não tenha dúvida: os juros vão subir", enfatizou a fonte.

Para 2013, o mercado espera uma inflação de 5,50%, segundo a pesquisa Focus do BC divulgada na segunda-feira.

Os cortes nas tarifas de energia elétrica, anunciados recentemente pelo governo, no entanto, podem reduzir a inflação prevista para o ano que vem. Mantega acredita que o impacto da medida representará entre 0,5 e 1 ponto porcentual a menos de inflação em 2013. O mercado ainda não tem um consenso sobre seu impacto final.

Sobre a Selic, a pesquisa Focus ainda mostra uma expectativa de que venha a cair a 7,25% este ano e que suba para 8,25% em 2013. Mas, segundo as operações do mercado futuro de juros, as chances de a Selic ir a 7,25% diminuíram depois que o BC reduziu as alíquotas de compulsório dos bancos na noite de sexta-feira.

(Com Reuters)

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