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Ainda há espaço para redução dos juros, afirma Mantega

O ministro da Fazenda também avaliou como "realista" uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 4,2% em 2013.

Ministro da Fazenda, Guido Mantega também criticou políticas monetárias expansionistas de países.

Ministro da Fazenda, Guido Mantega também criticou políticas monetárias expansionistas de países. (Evaristo SA/AFP/VEJA)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, em Londres, que o Brasil "ainda tem espaço para redução" da taxa de juros. Falando a investidores durante a Cúpula de Mercados de Alto Crescimento, promovida pela revista The Economist, o ministro insistiu em que o governo continuará se utilizando de políticas monetárias para promover o crescimento. "Podemos ter uma política monetária ativa. Isso faz sentido no Brasil, onde o crédito ainda é relativamente restrito", disse.

Mantega voltou a criticar a política monetária expansiva nos países ricos. "Não faz sentido (uma política monetária expansiva) em países com excesso de liquidez e baixas taxas de juros". O ministro também afirmou que a guerra cambial é uma "realidade", mas o governo não permitirá uma queda de competitividade da indústria. "Queremos uma indústria forte". Entre os segmentos industriais que devem ser fortalecidos, ele citou, sem mencionar um prazo, que a produção nacional de petróleo subirá de 2 milhões de barris por dia (bpd) para entre 5 milhões e 6 milhões de bpd. 

Guerra cambial - O ministro ainda aproveitou para criticar os Estados Unidos:  "A decisão do Federal Reserve de lançar uma terceira rodada de relaxamento quantitativo está estimulando guerras cambiais", afirmou. Mantega tem sido um dos maiores críticos aos “quantitative easing" (QE), programa de compra de ativos por parte dos governos, que foi recentemente aprovado pelos EUA e tem sido muito usado por bancos centrais do Ocidente para sustentar suas economias.

"A guerra cambial está sendo usada por países que são importantes e o quantitative easing tem estimulado esse tipo de guerra cambial. A resposta imediata ao QE dos EUA é o QE japonês, uma vez que o Japão já reagiu e adotará medidas para desvalorizar o iene", disse Mantega na conferência.

Protecionismo - Para manter o real desvalorizado -  e deixar, assim, a indústria brasileira mais competitiva no mercado internacional - Mantega disse que o governo pode impor impostos de capital de curto prazo, a exemplo do que foi feito em 2009, quando taxou categorias de fluxos estrangeiros para ações locais e ativos de renda fixa. À época, o governo afirmou que parte desse dinheiro era especulativo e que estava prejudicando a economia.

Na quinta-feira foi publicada carta em que o governo americano criticou as medidas "protecionistasdo Brasil na questão das importações. O governo federal anunciou neste mês a elevação do imposto de importação (II) de 100 produtos de 12% para 25%, em média, e afirmou que uma nova lista com mais 100 produtos será divulgada em outubro.

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Expectativas - Ainda no seminário, Mantega avaliou como "realista" uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 4,2% em 2013. Avaliou que os países emergentes continuarão tendo taxas de crescimento maiores do que os países desenvolvidos, em meio ao atual cenário macroeconômico global. Afirmou ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve rebaixar as projeções para a economia mundial em outubro.

Ele disse ainda que o Brasil deve encerrar este ano com uma dívida líquida em proporção do PIB abaixo de 35%. Segundo Mantega, a previsão do governo brasileiro para o crescimento do comércio varejista em 2012 é de 7,5%. "Isso é satisfatório", avaliou, completando que a capacidade do consumo interno seguirá aumentando.

(com Agência Estado

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