Indústria automobilística

Sergio Marchionne: 'A Fiat vai continuar crescendo no Brasil'

Presidente da empresa diz que a meta da montadora é crescer entre 5% e 7%

Fernando Valeika de Barros, de Detroit
Sergio Marchionne, presidente da Fiat

Sergio Marchionne, presidente da Fiat (Alessia Pierdomenico/Bloomberg/Getty Images)

O ítalo-canadense Sergio Marchione, 59 anos, dirigiu pela primeira vez um automóvel em 1968, aos 16 anos. Era um Fiat 124 branco, quatro portas, com meros 70 cavalos, linhas retas e faróis arredondados. Quando entrou para o conselho de supervisão da Fiat, a montadora vivia uma das piores fases e ele passará para a história como o homem que salvou não apenas uma mas duas montadoras. Na Fiat, a sua missão foi colocar ordem na casa em uma empresa com estrutura de paquiderme, vendas em queda e um buraco de 10 bilhões de dólares anuais. Começou por cortar custos de produção: quando entrou na Fiat, a montadora produzia carros em 19 plataformas - serão apenas seis em 2012. Em um novo desafio, a partir de 2009, ele transformou a Chrysler na mais bem-sucedida entre as montadoras dos Estados Unidos: no ano passado, foi a montadora que mais cresceu e ganhou dinheiro a ponto de pagar, antes do prazo, sua dívida de 7,6 bilhões de dólares com o Tesouro americano.

Qual é a tendência do mercado? Quando você olha para o entusiasmo nos estandes aqui em Detroit, durante este Salão , dá para acreditar em tempos melhores. Estamos atentos, com produtos novos, como o Kubang, que faz a Maserati (marca de carros esportivos do grupo Fiat) entrar em um novo segmento.

Divulgação

Maserati Kubang

Maserati Kubang

Qual a pegada deste modelo? Será um utilitário esportivo de prestígio, com motor construído pela Ferrari, em Maranello. Mas será montado em Detroit, na nossa fábrica de Jefferson, a partir de 2013. É um bom exemplo das oportunidades que as sinergias podem fazer. Aqui mesmo neste Salão de Detroit lançamos o Dodge Dart aproveita a mesma plataforma da Alfa Giulietta.

Como o senhor analisa o mercado brasileiro? Apesar do real forte prejudicar a exportação de carros brasileiros, a demanda interna por automóveis está forte no país. E a economia deve continuar crescendo. A nossa meta é crescer entre 5% e 7%. Acredito que o mercado pode chegar a uma produção de 4 milhões de automóveis em dois anos.

E com relação aos outros países emergentes? Na China, esperamos entrar em produção ainda este ano com um sedã Fiat, com o 500 e com a nossa minivan Freemont. Outros produtos virão, pode ser o Kubang. Na Rússia, podemos entrar primeiro com carros da Jeep, depois com a Alfa. Na Índia acabamos de concluir uma negociação com a Ratan Tata, com quem temos uma parceria, para separar montagem de comercialização. O México é uma base excepcional para montar carros tanto para o mercado americano como para o Brasil.

Na Europa dá para esperar reação em 2012? Com os planos de austeridade para resolver a crise europeia, nos próximos três anos as vendas serão estáveis, na melhor das hipóteses. Se os países europeus não reconquistarem a confiança dos mercados o futuro da economia no continente será duvidoso.

Depois da parceria com a Chrysler, a Fiat pensa em outras? Pode ser uma alternativa para dar escala e cortar custos de produção. Já montamos o 500 em parceria com a Ford, que faz o Ka, na mesma linha de montagem na Polônia. Pode haver um terceiro parceiro. Continuo acreditando que com os investimentos para fazer automóveis modernos, a melhor resposta ainda é fazer milhões de plataformas comuns. Só sobreviverão aqueles que produzirem 5,5 milhões de carros por ano. Melhor ainda se forem 6 milhões.

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