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'Pompeia chinesa': cientistas desvendam o mistério de fósseis preservados por cinzas vulcânicas

Segundo pesquisadores, animais foram mortos e fossilizados por uma nuvem de cinza quente, o que explica seu excelente estado de conservação

- Atualizado em

Fósseis chineses: da esq para a dir, um psitacossauro, dinossauro herbívoro, e dois Confuciusornis, um tipo de ave primitiva
Fósseis chineses: da esq para a dir, um psitacossauro, dinossauro herbívoro, e dois Confuciusornis, um tipo de ave primitiva(Baoyu Jiang/VEJA)

Cerca de 125 milhões de anos atrás, viviam no Norte da China diversas espécies animais: mamíferos, dinossauros com penas, peixes, lagartos e tartarugas. Esse período é bem registrado pelos pesquisadores devido à grande quantidade de fósseis encontrados em estado de conservação excepcional.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: New evidence suggests pyroclastic flows are responsible for the remarkable preservation of the Jehol biota

Onde foi divulgada: periódico Nature Communications

Quem fez: Baoyu Jiang, George E. Harlow, Kenneth Wohletz, Zhonghe Zhou e Jin Meng

Instituição: Universidade de Nanquim, China, e outras

Resultado: A conclusão dos pesquisadores é que os animais foram mortos e fossilizados por uma nuvem de cinza vulcânica muito quente, conhecida como fluxo piroclástico, e então arrastados para o lago onde foram encontrados.

As circunstâncias que geraram esses achados arqueológicos, chamados de fósseis Jehol, ainda não haviam sido explicadas pela ciência. Cobertos por uma camada de fina cinza vulcânica, seu estado de preservação é tamanho que possibilita a identificação de penas e pelos dos bichos, o contorno de seus músculos e até estruturas frágeis, como as bexigas natatórias dos peixes. Outro aspecto difícil de explicar é a presença de animais tão diferentes - aquáticos, aéreos e terrestres - em um só local, enterrados na mesma camada de sedimentos, onde anteriormente existiam lagos.

Especialistas concordavam que essa mistura incomum de espécies era sinal de uma catástrofe, mas ainda não sabiam dizer o que ou como teria acontecido. Ao longo do tempo, surgiram teorias sobre erupções vulcânicas ou gases mortais expelidos por lagos, mas nenhuma parecia dar conta de todos os detalhes daquela situação - até agora.

Corpos petrificadas na erupção do Vesúvio, no ano 79, em Pompéia, Itália
Corpos petrificadas na erupção do Vesúvio, no ano 79, em Pompéia, Itália(AFP/VEJA)

Corpos petrificados em Pompeia

Solução - Um estudo conduzido por pesquisadores da China e dos Estados Unidos, publicado nesta terça-feira na revista Nature Communications, solucionou o mistério, descobrindo que o mesmo evento que matou esses animais foi responsável por soterrá-los, juntos, em circunstâncias semelhantes ao que aconteceu na cidade italiana de Pompeia, no ano 79, quando uma intensa chuva de cinzas provocada pela erupção do Vesúvio sepultou a cidade e "petrificou" muitos de seus habitantes.

Os cientistas analisaram catorze fósseis de pássaros e pequenos dinossauros encontrados em cinco pontos distintos da região de Jehol. Eles observaram que os ossos dos animais apresentavam algumas rachaduras leves, típicas de quando um corpo - ainda vivo ou recentemente morto - é exposto ao calor intenso. Além disso, a postura dos bichos fossilizados, com músculos e tendões contraídos, é indício de alta temperatura.

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A conclusão dos pesquisadores é que os animais foram mortos e fossilizados por uma nuvem de cinza vulcânica quente, chamada fluxo piroclástico, e então arrastados para o lago. Estudos anteriores concluíram que as cinzas vulcânicas que atingiram Pompeia deviam estar a cerca de 400 graus Celsius. Como os danos nos ossos dos animais chineses são mais superficiais do que os das pessoas "petrificadas" na erupção do Vesúvio, estima-se que as cinzas que formaram os fósseis Jehol estavam mais frias - entre 200 e 300 graus Celsius.

A incomparável preservação dos fósseis chineses deve-se a uma "combinação perfeita de fatores", disse o paleontólogo Antoine Pierre-Olivier, do Instituto de Ciências Evolucionárias de Montpellier, na França, ao site da revista Science. Segundo o especialista, que não participou da pesquisa, os lagos onde esses fósseis foram parar provavelmente ficavam um pouco distantes do local da erupção. Isso porque, como a nuvem de poeira era relativamente fria e provavelmente lenta, ela não incinerou automaticamente os animais e foi capaz de transportá-los até o lago sem provocar danos em suas carcaças. Uma nuvem de cinzas mais quente e turbulenta, mais próxima da erupção, provavelmente não teria deixado fósseis.

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