Rio de Janeiro

Protesto faz Igreja cancelar tradição da Sexta-Feira Santa

Grupo de 50 pessoas acampou em frente à Catedral Metropolitana, que ficou fechada durante todo o dia. Auto da Paixão de Cristo não pode ser encenado

Padres tentaram intermediar acordo entre a prefeitura e os invasores, mas grupo não aceitou ir para um abrigo municipal

Padres tentaram intermediar acordo entre a prefeitura e os invasores, mas grupo não aceitou ir para um abrigo municipal (Guilherme Leporace/ Agência O Globo /VEJA)

A Arquidiocese do Rio de Janeiro cancelou a encenação do Auto da Paixão de Cristo que seria realizada na Catedral Metropolitana, no Centro. O motivo: falta de segurança. Desde a manhã, um grupo de 50 pessoas acampou em frente à igreja, que ficou fechada durante todo o dia. Nem os atores que ensaiavam para a tradicional celebração da Sexta-Feira Santa, no início da noite, puderam permanecer no local. Também não haverá missa nem procissão.

Os manifestantes estavam entre os invasores do terreno da empresa de telefonia Oi, desocupado pela Polícia Militar no último dia 11. Desde que foram expulsos, eles vinham se concentrando em frente ao prédio da prefeitura, mas alegam terem sido retirados de lá por PMs nesta madrugada. A corporação nega, e diz que eles mudaram de lugar por vontade própria. Os acampados receberam doações de água, café e comida. Policiais do Batalhão de Choque cercaram o prédio.

O coordenador da Pastoral de Favelas da Arquidiocese do Rio, padre Luiz Antônio, prometeu ajudar as famílias a encontrar um abrigo. O problema é que o grupo se recusava a se separar e pedia para ser levado a um local onde todos pudessem ficar juntos. Duas horas após o início das negociações, o padre voltou com a garantia de que eles poderiam ficar em um mesmo abrigo, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital. Eles, porém, voltaram atrás e decidiram manter o acampamento.

Igreja - Em nota, a Arquidiocese disse que "lamenta que existam pessoas que ainda sofram em virtude da ausência de moradia e sejam manipuladas por outros interesses". Informou ainda, que "apesar das negociações terem se encaminhado para o atendimento provisório dos efetivamente necessitados, em local do poder público, com o apoio da Igreja e serviços sociais; e apesar de os necessitados a terem inicialmente aceito, ao final, não se chegou a uma solução satisfatória".

Desde o dia em que a reintegração de posse do terreno da Oi foi executada, a prefeitura do Rio oferece abrigo às famílias desalojadas, e todas as ofertas são rejeitadas pelos invasores. No início da semana, a prefeitura cadastrou as famílias para que fossem inscritas no programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. O grupo, no entanto, quer solução imediata e diz que só interrompe os protestos quando conseguir o direito ao aluguel social.

O número de invasores acampados na Catedral é pequeno, mas os episódios de violência relacionados ao grupo justificam o temor da igreja. Na última terça-feira, o anúncio do fim de uma reunião com o município terminou em violento confronto com agentes da Guarda Municipal. Ao ser impedido de avançar em direção à prefeitura, o grupo saiu pelas ruas do Centro praticando atos de vandalismo - com a ajuda de black blocs. Pelo menos um ponto de ônibus, um ônibus e uma ambulância foram depredados.

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    Ana Carolina Fernandes/Reuters

  • Confrontos durante reintegração de posse do terreno da empresa de telefonia Oi, situado no Engenho Novo, Zona Norte do Rio

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    AFP

  • Policiais militares entram em confronto com manifestantes durante protesto contra desocupação do prédio da Telemar, no Engenho Novo, Rio de Janeiro

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    Ariel Subirá/Futura Press

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    Ariel Subirá/Futura Press

  • Reintegração de posse do terreno da empresa de telefonia Oi, situado no Engenho Novo, Zona Norte do Rio

    Reuters

  • Policiais militares entram em confronto com manifestantes durante protesto contra desocupação do prédio da Telemar, no Engenho Novo, Rio de Janeiro

    Vladimir Platonow/ABr

  • Reintegração de posse do terreno da empresa de telefonia Oi, situado no Engenho Novo, Zona Norte do Rio

    Reuters

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