Tarja Policiais em greve
 
09/02/2012 - 07:41
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Bahia

Líder da greve é preso; PMs deixam Assembleia Legislativa

Marco Prisco foi levado para as instalações do Exército . Ele foi flagrado em escutas incentivando atos criminosos. Fim da greve, porém, não foi anunciado

 

Fotografia

Greve da Polícia Militar na Bahia

Parte da corporação da Polícia Militar está em greve na Bahia, acampando na Assembleia Legislativa da Bahia desde o dia 31 de janeiro. Homens do Exército têm feito o patrulhamento das ruas da cidade. A Força Nacional, Polícia Federal e as Companhias Independentes de Policiamento Especializado da Polícia Militar cercaram a Assembleia na manhã desta segunda-feira (6), por volta de 5h50. Confira as imagens:

Foi preso na manhã desta quinta-feira o PM Marco Prisco, líder do movimento grevista na Bahia. Ele foi levado do prédio da Assembleia Legislativa do estado por homens da Força Nacional de Segurança e da Polícia Federal e está agora nas instalações do Exército em Salvador, de acordo com o tenente-coronel Márcio Cunha, e à disposição da Justiça. Prisco tinha mandado de prisão decretado. Mais cedo, os policiais militares grevistas começaram a desocupar a Assembleia Legislativa. Prisco, bem como o outro líder da greve preso, Antônio Paulo Angelini, saiu pela porta dos fundos.

A desocupação começou às 6h25 deste quinta, após dez dias de paralisação. Soldados do Exército, que cercam o prédio, fizeram uma revista em todos os PMs que saíram do local. As primeiras a deixarem o local foram as mulheres, que saíram a pé, seguidas por um grupo de homens. Depois, deixaram o local PMs em motos e, em seguida, de carro. O líder do movimento, Marco Prisco, saiu da Assembleia diretamente para uma prisão do Exército. O fim da greve, porém, ainda não foi anunciado.

A saída dos PMs foi anunciada ainda de madrugada pela advogado do grupo. A decisão foi tomada após a divulgação, pelo Jornal Nacional, de grampos telefônicos em que Prisco é flagrado incentivando atos de vandalismo no estado e convocando PMs do Rio de Janeiro e de São Paulo à paralisação. Na noite desta quarta-feira, o cabo do Corpo de Bombeiros Benevenuto Daciolo foi preso ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, após viagem à Bahia. Benevuto é acusado de incitar o movimento grevista nos Bombeiros e na Polícia Militar do Rio. Escutas telefônicas realizadas com autorização pela Justiça mostram Benevenuto negociando uma possível extensão do movimento grevista da Bahia ao Rio e a São Paulo. Um dos líderes da greve dos bombeiros no Rio no ano passado, Benevenuto foi enquadrado no crime de incitamento, de acordo com o Código Penal Militar e está no presídio de Bangu 1. Ainda faltam cumprir oito mandados de prisão.

O contato entre os manifestantes dos diferentes estados da federação começou ainda em 2008 por causa da PEC 300 (proposta de emenda que estabelece piso salarial para policiais e bombeiros). Em 2011, pelo menos cinco reuniões em Brasília motivaram o encontro do grupo. “O contato tem se dado de forma natural. Os estados enxergam que agora o momento é propício”, explica Daciolo. Nas cabeças dos líderes, não passa despercebido o fato de que, se começar uma greve na sexta, os dois maiores carnavais no país, Rio e Salvador, estarão ameaçados

Tensão - A greve por aumento salarial e pela concessão de gratificações já dura dez dias e provocou uma onda de crimes que causou mais de 100 assassinatos pela falta de segurança. O governo do estado, que tem fracassado na negociação para dar fim ao movimento, lançou mão de propagandas no rádio para tentar sensibilizar os grevistas e acalmar os baianos e turistas. Nesta quarta-feira começou a ser veiculado um spot em que o governo explica a proposta feita aos grevistas e declara disposição em negociar.

O governador Jaques Wagner levou para a mesa de negociações o que diz ser sua maior oferta: o pagamento das gratificações que os policiais pedem até 2015. Segundo o governador, isso representaria um ganho real de 30% no salário dos PMs, hoje de aproximadamente 2 300 reais. Os representantes da categoria não concordaram com a proposta. Os principais pontos de discórdia são a anistia aos comandantes grevistas e a revogação dos pedidos de prisão de doze líderes do movimento.

(Com reportagem de Cida Alves)

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