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Amazônia

Campanha internacional denuncia genocídio dos Awá-Guajá na Amazônia

Ator inglês Colin Firth, vencedor do Oscar por O Discurso do Rei, aparece em vídeo pedindo providências do governo brasileiro para proteger "a tribo mais ameaçada do mundo"

Luís Bulcão
A tribo dos Awá, segundo a ONG Survival Internacional, sofre com a ação de madeireiros e enfrenta pistoleiros

A tribo dos Awá, segundo a ONG Survival Internacional, sofre com a ação de madeireiros e enfrenta pistoleiros (Divulgação/Survival International)

"Se deixarmos os Awá desaparecerem, perderemos não somente uma parte vibrante da diversidade humana do nosso planeta, uma linguagem única e uma parte do conhecimento da Amazônia, mas também jogaremos fora uma parte de nós mesmos e do significado de ser humanos", afirma Fiona Watson

O ator inglês Colin Firth, vencedor do Oscar em 2011 por sua atuação em O Discurso do Rei, pede ao governo brasileiro que tome medidas urgentes para proteger a tribo dos Awá-Guajá, na Amazônia. Firth faz o apelo em um vídeo divulgado nesta quarta-feira pela ONG Survival International, que tem sede no Reino Unido. De Londres, Sarah Shenker, representante da Survival, afirma que há indícios para chamar de genocídio o que está acontecendo com os índios da tribo, que, segundo a ONG, é uma das únicas duas comunidades nômades restantes na Amazônia, ainda dependente da caça e dos alimentos que coletam da selva. "Madeireiros ilegais têm tentado matar deliberadamente os Awás. Se não forem parados, a tribo vai se extinguir", afirma Sarah.

A campanha tende a ganhar repercussão com a aproximação da Rio+20, que será realizada em junho no Rio de Janeiro. O apelo da ONG é para que o governo crie um monitoramento efetivo das reservas delimitadas pela Funai para que o território de onde o povo nativo tira o seu sustento seja preservado. Além de fazer parte da campanha da ONU pelo direito de vida aos povos nativos, o que torna o problema dos Awás no Brasil uma questão internacional, segundo Sarah, é que o desmatamento da área onde vive a tribo, no noroeste do Maranhão, se deve principalmente à implementação da indústria de minério de ferro na Serra dos Carajás, que contou com financiamento do banco mundial e da então Comunidade Econômica Europeia na década de 1980. "O dinheiro do contribuinte europeu também influenciou na destruição do habitat desses povos. Então é natural que devamos contribuir para a sua proteção", afirma.



A tribo Awá-Guajá tem cerca de 360 sobreviventes - sendo que cem deles jamais tiveram contato com o homem branco. Devido à ação violenta de madeireiros ilegais e de fazendeiros que invadem as reservas, a Survival considera que os Awás sejam a tribo mais ameaçada de extinção no planeta.

Junto com a campanha, a ONG lançou um site com informações, fotos e vídeos sobre a tribo. Um dos vídeos divulgados exibe imagens feitas por equipes da Funai mostrando um carregamento ilegal de madeira próximo à área de proteção dos índios. Como os caminhoneiros andam armados, os fiscais têm dificuldade em interceptá-los nas estradas.

Reprodução

Colin Firth faz apelo ao ministro da Justiça do Brasil e ao público, para cobrar proteção aos índios Awá, considerados a tribo mais ameaçada do mundo

Colin Firth faz apelo ao ministro da Justiça do Brasil e ao público, para cobrar proteção aos índios Awá, considerados a tribo mais ameaçada do mundo

"Se deixarmos os Awá desaparecerem, perderemos não somente uma parte vibrante da diversidade humana do nosso planeta, uma linguagem única e uma parte do conhecimento da Amazônia, mas também jogaremos fora uma parte de nós mesmos e do significado de ser humanos", afirma Fiona Watson, que tem contato com os índios desde 1992. Segundo ela, que encontrou um casal de Awás que fugia de pistoleiros contratados por invasores da reserva e acompanhou seu progresso sob os cuidados da Funai, a tribo é resistente e pode sobreviver se os perímetros da área preservada forem respeitados. "Os Awá carregam a essência do significado de ser humano - que é viver em comunidade e tomar conta uns dos outros, compartilhar os bons e maus momentos e compreender o ambiente em que vivem. Eles estão entre os povos mais autossuficientes do planeta", afirma.

Colin Andrew Firth, 52 anos, que ficou conhecido no Reino Unido por interpretar Mr. Darcy na adaptação da BBC para o clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austin, em 1995, sempre esteve envolvido com as campanhas da ONG. De acordo com a Survival, partiu dele a iniciativa para participar da campanha. "Logo que ficou sabendo da nossa iniciativa para a proteção dos Awás, Colin se ofereceu para participar", conta Sarah.

A campanha propõe que, pela internet, apoiadores da causa enviem a seguinte mensagem ao ministro da Justiça do Brasil, via e-mail, ou compartilhem o texto pelo Facebook: "Os Awá isolados estão fugindo para salvar suas vidas conforme madeireiros, fazendeiros e colonos invadem a sua terra. Por favor, use a sua autoridade para remover os invasores e mantê-los fora da terra para sempre".

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