Vigilante que matou jovem negro faz primeira declaração pública

Miami, 10 abr (EFE).- O vigilante George Zimmerman, que matou o adolescente negro Trayvon Martin no último dia 26 de fevereiro, fez sua primeira declaração pública, através de um site, após o fato que provocou uma onda de protestos nos Estados Unidos.

Zimmerman, vigilante voluntário de uma comunidade de Sanford, na Flórida, divulgou hoje uma página na internet, cujo único propósito, segundo explica, é garantir que aqueles que o apoiam recebam toda sua atenção ‘sem intermediários’.

Seus advogados confirmaram hoje que Zimmerman é o responsável pelo site TheRealGeorgeZimmerman.com, no qual este oferece uma conta bancária para receber doações e pagar suas despesas diárias e sua defesa legal.

No site o vigilante explica muito brevemente: ‘No domingo 26 de fevereiro me vi envolvido em um acontecimento daqueles que mudam a vida (de uma pessoa) e que me tornou alvo de uma intensa cobertura midiática’.

‘Fui forçado a deixar minha casa, minha escola, meu trabalho, minha família e, em última instância, minha vida inteira’, relata Zimmerman na página, que mantém como fundo de tela uma bandeira americana.

Após apresentar-se como ‘o verdadeiro George Zimmerman’, explica também que soube que há gente e organizações que começaram a arrecadar fundos em seu nome através de distintos sites.

‘Não posso legitimar esses outros sites, já que não recebi nenhum dos fundos arrecadados, que deveriam ser destinados ao apoio da minha família neste trágico e difícil momento’, declara.

Por isso ‘criei uma conta que só está ligado a esta página, já que eu gostaria oferecer-lhes uma via para agradecer pessoalmente a quem me apoia e assegurar que qualquer dinheiro entregue será utilizado apenas para despesas diárias e de defesa legal’.

‘Eu manterei pessoalmente a responsabilidade de todos os fundos recebidos. Asseguro-lhes que toda doação é apreciada’, conclui Zimmerman, que incluiu na página a citação de Edmund Burke: ‘A única coisa necessária para que o mal triunfe é que os homens bons não façam nada’.

O vigilante, que não revela seu paradeiro, também comenta que não pode fazer comentários sobre o incidente enquanto as autoridades continuam com a investigação, e se limita a dizer que com o tempo se conhecerão os detalhes do ocorrido.

No último dia 26 de fevereiro, Zimmerman reconheceu ter disparado e matado Trayvon Martin, que caminhava pela comunidade durante a noite, usando um capuz, quando voltava de uma loja após comprar balas e chá gelado.

Previamente, o vigilante havia ligado para a polícia para advertir da presença de alguém suspeito.

Faltando testemunhas ou provas que contradigam sua versão, Zimmerman permanece em liberdade porque alegou legítima defesa, o que gerou uma onda de protestos em nível nacional contra a lei que ampara os que usam força letal para defender-se de uma ameaça, inclusive quando houver opção de fugir de forma segura. EFE