Polícia sul-coreana inicia caçada a proprietário de balsa naufragada

Aproximadamente 6.000 policiais foram às ruas para procurar o bilionário Yoo Byung-eun. O desastre ocorrido em abril vitimou 292 pessoas

As autoridades sul-coreanas iniciaram nesta quarta-feira uma caçada pelo bilionário Yoo Byung-eun, proprietário da Chonghaejin Marine, empresa que operava a balsa naufragada em abril deste ano. Aproximadamente 6.000 policiais foram às ruas para procurar Yoo, de 74 anos. Ele é investigado por ter ignorado as irregularidades que contribuíram para o acidente que vitimou 292 pessoas. O empresário também terá de responder a acusações de desvio de verba e fraude de impostos. Acredita-se que a corrupção e má administração da companhia acarretaram nas condições ruins da balsa.

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Por ser uma liderança religiosa na Coreia do Sul, Yoo conta com diversos apoiadores espalhados pelo país. A operação policial atraiu um protesto de 200 fiéis que se aglomeraram em frente a um dos templos investigados pelas autoridades. Elas montaram barricadas no local, mas não impediram as autoridades de entrar na igreja. Uma faixa estendida pelos religiosos dizia: “Protegeremos Yoo Byung-eun nem que 100.000 fiéis sejam presos”. Helicópteros da polícia sobrevoaram a igreja para ajudar na operação.

Segundo a rede BBC, quatro seguidores religiosos foram presos por ajudar na fuga de Yoo. A polícia comunicou que pretende prender outros cúmplices do empresário nos próximos dias. Uma operação similar, realizada em maio, não revelou nenhuma pista sobre o paradeiro de Yoo. Revoltados com as investigações, os fiéis alegam que as igrejas não têm nenhuma ligação com o naufrágio da balsa. A presidente Park Geun-Hye, no entanto, ordenou o prosseguimento da caçada ao bilionário. “Yoo precisa ser trazido à Justiça”, disse a mandatária. Uma recompensa de 500.000 dólares foi estipulada para quem tiver qualquer informação que possa levar ao paradeiro do fugitivo.

Julgamento – Teve início na terça-feira o julgamento do capitão Lee Joon-seok, de 69 anos, responsável por pilotar a balsa durante o naufrágio. Ele fugiu da embarcação após orientar a tripulação a manter os passageiros dentro do navio. Lee e outros três funcionários respondem à acusação de “homicídio provocado por negligência”. O capitão, contudo, declarou ser inocente. Um julgamento separado de executivos da empresa também está marcado para o próximo mês. Eles são acusados de lapsos na administração da empresa.