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Jornalista crítico a jihadistas é assassinado na Líbia

Meftah Buzid, editor do jornal 'Burniq', foi morto em Bengasi no dia seguinte a uma aparição na televisão para comentar o mais novo impasse político no país

Um jornalista líbio conhecido por suas críticas às guerrilhas islâmicas do país foi assassinado nesta segunda-feira na cidade de Bengasi, reduto dos grupos radicais que ganharam força após a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011. Meftah Buzid, editor do jornal Burniq, foi baleado um dia após ter participado de um programa na televisão que discutia o mais novo impasse político do país, conforme reportou a rede britânica BBC.

Há uma semana, apoiadores do ex-general Khalifa Haftar, da milícia ‘Exército Nacional Líbio’, invadiram o Parlamento líbio e forçaram a suspensão dos trabalhos. Para conter a tensão no país, uma comissão agendou eleições parlamentares para 25 de junho. O governo acusa Haftar de planejar um golpe, mas o ex-comandante militar afirma que seu objetivo é acabar com o poder islâmico no país, que, segundo ele, está abrindo caminho para facções extremistas.

De acordo com a rede BBC, Buzid denunciava a influência de jihadistas islâmicos na Líbia com frequência. Parentes do jornalista alegam que o seu posicionamento lhe valeu uma série de ameaças de morte. Jornalistas se tornaram alvos comuns de terroristas desde agosto do ano passado, quando um apresentador de TV foi assassinado em Bengasi. Diversas tentativas frustradas de ataques contra a imprensa foram registradas desde então. Outra tática de repressão dos radicais à liberdade de expressão se baseia no sequestro de repórteres, que acabam liberados dias depois do rapto.

(Com agência France-Presse)