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Jordanianos vão às ruas para exigir reforma política

Em Amã, os manifestantes pediram ao rei jordaniano Abdullah II que promova mudanças na Constituição para garantir que "o povo seja a fonte de poder"

Em uma ação convocada pela Irmandade Muçulmana, dezenas de milhares de jordanianos ocuparam o centro de Amã nesta sexta-feira para exigir reformas políticas no país, um dia depois de o Parlamento ser destituído pelo rei Abdullah II. A manifestação, que começou ao final da oração muçulmana do meio-dia, contou com mais de 80 formações opositoras e pró-democracia, movimentos juvenis e grupos tribais.

Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes pediram ao rei jordaniano que mude a Constituição para garantir que “o povo seja a fonte de poder”. Entre as medidas adotadas recentemente no processo de reforma prometido pelo monarca, os opositores criticaram com firmeza a nova lei eleitoral que deverá reger as próximas eleições parlamentares, previstas para o final do ano ou começo de 2013.

Com isso, os islamitas anunciaram um boicote ao pleito em rejeição à citada lei, que estipula um sistema de votação misto. Nele, cada cidadão deve depositar um voto para seu distrito eleitoral e outro em nível nacional. Durante a manifestação, os jordanianos também defenderam a limitação dos poderes do rei, a formação de governos parlamentares, a luta contra a corrupção e libertação dos presos políticos.

O grupo islamita estimou o número de participantes da manifestação, que se concentrou em frente à Grande Mesquita Hosseini de Amã, em mais de 100.000, enquanto observadores independentes apontaram entre 40.000 e 50.000 pessoas. Desde quinta-feira, as autoridades jordanianas adotaram rígidas medidas de segurança, com o fechamento dos acessos ao centro de Amã e 2.000 policiais destacados para o evento. O temor estava relacionado à previsão de que grupos pró-governo também fossem às ruas, mas a manifestação foi adiada.

Eleições – O anúncio da destituição da câmara baixa do Parlamento abriu caminho para a convocação de eleições legislativas antecipadas – dois anos antes do término de seu mandato. A manifestação não foi realizada como uma reação direta à dissolução, pois já havia sido programada há algumas semanas.

Segundo fontes políticas, as decisões adotadas por Abdullah II buscam aliviar a tensão no país e convencer os islamitas a participarem do pleito. No entanto, o líder da confraria, Hamam Said, afirmou durante a manifestação desta sexta que seu grupo, o principal da oposição, é favoravel ao boicote nas próximas eleições. “Este sistema eleitoral não representa a vontade do povo jordaniano e é incapaz de produzir um governo parlamentar livre da corrupção”.

A Jordânia se encontra em um conflituoso processo de reforma política, prometido por Abdullah II há 20 meses, justamente quando começaram os protestos no país inspirados na Primavera Árabe. Segundo a Constituição, após a dissolução do Parlamento, o governo do primeiro-ministro Fayez Tarauneh terá que apresentar sua renúncia no prazo de uma semana, quando será formado um novo executivo para supervisionar os preparativos do processo eleitoral.

A data das eleições ainda deve ser fixada pela Autoridade Eleitoral Independente.

(Com agência EFE)