Irã estuda a produção de uma bomba atômica, diz AIEA

Relatório de agência nuclear da ONU confirma intenções militares do país

O Irã tem realizado testes “relevantes para o desenvolvimento de uma bomba atômica”, informou nesta terça-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em um relatório, segundo informações exclusivas da rede BBC. As pesquisas iranianas contam com modelos de computador que só poderiam ser usados para acionar uma bomba, segundo o documento.No relatório enviado hoje aos estados-membros da AIEA e ao Conselho de Segurança da ONU, são explicados com precisão e detalhes nunca vistos os trabalhos nucleares que o Irã desenvolveu ou está desenvolvendo, e que só podem ter fins militares.

“A AIEA desconhece a aplicação de tais estudos para qualquer outra atividade se não a fabricação de uma bomba atômica”, diz o relatório.Segundo o informe, “antes de 2003, essas atividades ocorriam em um ambiente estruturado” e “alguns destes programas poderiam continuar em andamento”.

“A agência tem sérias preocupações sobre uma possível dimensão militar do programa nuclear iraniano”, escreveu a AIEA neste documento, no qual diz se apoiar em informações confiáveis que indicam que o “Irã realizou atividades destinadas a desenvolver um dispositivo explosivo nuclear”.

Para elaborar o relatório, a AIEA obteve dados de dez países membros da agência – certamente dos serviços secretos – e que dispõe também de fontes próprias, particularmente fotos de satélite. A agência instou o Irã a se manifestar “sem demora” para esclarecer essas informações, mas, ao invés disso, o governo iraniano desdenhou do relatório.

A agência com sede em Viena destaca que algumas das mais de 1.000 páginas de informação do relatório indicam que o Irã trabalhou “no desenvolvimento do projeto de uma arma nuclear que inclui testes dos componentes”. O relatório detalha ainda que os iranianos já produziram 73,7 quilos de urânio enriquecido a 20%, que pretendem usar em um reator civil destinado à produção de isótopos para a luta contra o câncer. No entanto, analistas advertem que aumentar essa pureza aproxima muito o Irã da capacidade de produzir urânio enriquecido acima de 80%, o necessário para uma bomba.

Tensão – O relatório é divulgado em meio a uma tensão sobre um possível ataque militar de Israel ao Irã para destruir as instalações atômicas do país. Mesmo assim, o governo iraniano continua negando a produção de armas nucleares e garante que as pesquisas realizadas visam unicamente à produção de energia.

Mais cedo, o chefe da diplomacia iraniana, Ali Akbar Salehi, rejeitou todas as acusações sobre o programa nuclear militar de seu país antes mesmo da publicação do relatório e afirmou que o Ocidente continua sem “nenhuma prova séria”.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chegou a ameaçar os Estados Unidos. “Se os EUA cumprirem suas ameaças militares, terão uma resposta arrasadora e se arrependerão”, declarou. Em uma reunião sobre a leitura do Alcorão nesta terça em Teerã, Ahmadinejad detalhou que o Irã tem um orçamento anual de 250 milhões de dólares para pesquisa nuclear, e insistiu que tem somente objetivos “pacíficos e civis”.

O presidente acusou o governo americano de possuir 5.000 bombas nucleares e de usar 81 bilhões de dólares para aumentar seu arsenal nuclear em 2011. “É mais de 300 vezes o orçamento da pesquisa nuclear iraniano”, afirmou. O presidente criticou ainda o trabalho da AIEA e acusou seu diretor-geral, Yukiya Amano, de agir fora de sua jurisdição e violar as normas do órgão dependente da ONU ao “repetir as palavras ditadas por Washington”.

Estados Unidos – Em resposta, o departamento de estado americano afirmou que precisará de um tempo para analisar o relatório da AIEA antes de fazer declarações a respeito.

(Com agência France-Presse)