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Morosini, jogador do Livorno, morre após sofrer ataque cardíaco em campo

O jogador italiano Piermario Morosini, do Livorno, morreu neste sábado depois de sofrer um ataque cardíaco durante uma partida da Série B (2ª divisão) que sua equipe disputava contra o Pescara, anunciou o cardiologista Edoardo De Blasio, no hospital Santo Spirito de Pescara.

O jogador de 25 anos caiu de forma repentina no gramado aos 31 do minutos do primeiro tempo o árbitro suspendeu a partida.

Após a confirmação da morte, as partidas de todas as divisões previstas para este fim de semana foram suspensas, anunciou o diretor executivo da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Antonello Valentini. A rodada será disputada no dia 25 de abril, feriado na Itália.

O jogador, foi atendido no gramado antes de ser levado de ambulância para um hospital de Pescara.

Morosini estava consciente quando foi colocado na ambulância, mas seu estado se agravou quando chegou ao hospital.

“Ele olhou nos meus olhos quando entrou na ambulância”, afirmou o diretor executivo do Pescara, Danilo Iannascoli.

“Morosini caiu, tentou levantar, mas voltou a cair. Nosso massagista percebeu o que estava acontecendo”, completou.

A imprensa italiana foi alertada inicialmente da morte de Morosini por uma “explosão de gritos e lágrimas” de seus companheiros de time, que seguiram imediatamente para o hospital.

De acordo com o goleiro do Pescara, Luca Anania, tudo aconteceu muito rápido. “Houve momentos de grande confusão e tentei entender o que estava acontecendo. Disseram-nos que a ambulância não tinha conseguido entrar no gramado porque o acesso estava bloqueado por outro carro”, explicou.

A imprensa italiana revelou que o veículo que bloqueava a entrada era uma carro de polícia, mas o cardiologista Leonardo Paloscia, que se encontrava no estádio no momento do incidente e desceu ao gramado para a ajudar a equipe médica, explicou que este atraso não influenciou na morte do jogador.

“Um minuto a mais ou a menos na ambulância não teria mudado nada. Seu coração havia parado e não voltou a bater. Tentamos reanimá-lo durante uma hora e meia sem sucesso”, completou o médico.

Entre as partidas suspensas estava o choque entre o atual campeão Milan e o Genoa, previsto para as 18h00 locais (13h00 no horário de Brasília).

Torcedores que já se encontravam no estádio San Siro pouco antes da hora marcada para a partida se emocionaram com o anúncio da morte do jogador e aplaudiram em pé.

Morosini, formado nas categorias de base do Atalanta e da Udinese, chegou a ser convocado pela seleção italiana sub-21.

Ele disputou apenas cinco partidas de série A com a Udinese, durante a temporada 2005-2006, e fez a maior parte da sua carreira na segunda divisão, ao ser emprestado ao Bologna, Vicenza, Reggina, Padua e Livorno.

O jogador teve a vida marcada por tragédias. Perdeu sua mãe com apenas quinze anos, seu pai dois anos depois e seu irmão, deficiente físico, cometeu suicídio mais tarde. Ele morou por alguns anos com sua irmã.

“É um destino inacreditável. Agora, ele vai poder abraçar de novo toda sua família”, disse ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport seu ex-companheiro de equipe da Udinese, Roberto Baronio.

O presidente do Comitê Olímpico Italiano (Coni), Giovanni Petrucci, convidou todas as federações a respeitar um minuto de silêncio em todos os eventos esportivos do país em homenagem a Morosini.

A morte do jogador italiano chega pouco menos de um mês depois do volante inglês do Bolton, Fabrice Muamba, sofreu uma parada cardíaca, no dia 17 de março, em uma partida de Copa Inglaterra contra o Tottenham.

Após estar entre a vida e a morte, Muamba melhorou e comemorou seus 24 anos no último dia 6 de abril.

O incidente com Muamba levou as autoridades do futebol a pedir mais exames cardíacos para jogadores profissionais, o que teve ser levado ainda mais em consideração após a morte de Morosini. Outros jogadores morreram no gramado nos últimos anos, entre eles o brasileiro Serginho do São Caetano, que faleceu durante um jogo contra o São Paulo no dia 27 de outubro de 2004, e o camaronês Marc-Vivien Foé, que disputava um jogo da Copa das Confederações de 2003 com seu país.