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Realidade virtual aquece 8ª edição do Festival Varilux de Cinema

Mostra paralela do Festival Varilux apresenta oito filmes com a tecnologia de imersão em 360 graus

O cinema caminha rumo a uma revolução narrativa, que vai afetar estruturas básicas dos bastidores para, do outro lado da tela, proporcionar à plateia uma nova experiência de imersão sensorial. Por “outro lado da tela”, aliás, entenda-se cancelar a tal da tela — e também a sala de cinema como se conhece. Coloque o espectador em uma cadeira giratória e acople à sua cabeça óculos gigantões e um bom fone de ouvido. Alheio ao que acontece a seu redor, ele estará, fisicamente, no centro da ação do filme. Com o poder de observar tudo o que acontece na história em 360 graus. A realidade virtual faz isso, e tem planos mais ambiciosos para um futuro nada distante.

Os filmes que usam a tecnologia estão em fase experimental e começaram a ser exibidos em festivais pelo mundo. No Brasil, pela primeira vez, a tecnologia ganha uma seleção específica no país bancada pelo Festival Varilux de Cinema Francês, que acontece entre os dias 7 e 21 de junho, em 55 cidades. A mostra paralela, de realidade virtual, acontece apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, até dia 18 (confira programação abaixo).

O Varilux segue a tendência de outros renomados festivais que abriram espaço para a plataforma que causa curiosidade e euforia em uns, e desconforto em outros. O moderninho Sundance exibiu três dos oito curtas que estão no Brasil: Notes on Blindess, Out of the Blue e Viens!.

O primeiro acompanha a narrativa real de John Hull, autor que ficou cego e gravou fitas sobre a experiência. Enquanto ele fala sobre os sons que estão sendo ouvidos, contornos surgem ao redor, ilustrando a lúdica visão do narrador.  Já Out of the Blue leva o espectador ao fundo do mar em um documentário sobre Cabo Pulmo, cidade mexicana que aboliu a pesca e se tornou um importante ponto de turismo ecológico. Viens!, destaque da mostra, é destinado aos maiores de 18 anos. Ao longo de 12 minutos, corpos nus se entrelaçam e interagem em imagens que demandam do espectador olhar para toda a esfera do campo de visão, desde os pés até o alto da cabeça.

Grandes e tradicionais festivais também abriram suas portas para a realidade virtual, ou RV para os íntimos. Cannes apresentou este ano Carne y Arena, curta de 7 minutos de Alejandro González Iñárritu (de Birdman e O Regresso) sobre o trajeto de mexicanos que cruzam a fronteira do país com os Estados Unidos. O Festival de Veneza, no ano passado exibiu Jesus VR, de Dave Hansen. O messias cristão, antiga celebridade do cinema, detém agora o posto de primeiro protagonista de um longa-metragem em realidade virtual.

Câmera 360 graus

Câmera 360 graus usada no filme ‘Jesus VR’ (AutumnVR/Divulgação)

Segundo o francês Michel Reilhac, diretor de Viens! e autoridade na produção em RV, estudos apontam que a tecnologia deve se igualar a outros mercados, como TV e cinema, até 2025. Já os pesados capacetes devem dar lugar a modelos mais leves e anatômicos em cerca de 5 anos. “Serão interfaces populares, como os celulares que temos hoje”, prevê o cineasta.

Confira abaixo a agenda de locais que recebem a mostra – os filmes são eleitos pelo espectador na hora de assistir. Toda programação é gratuita.

São Paulo

7 de junho, de 10 às 19h – Aliança Francesa de São Paulo – Rua General Jardim, 182 – Centro

De 8 a 18 de junho, de 14 às 22h – Cine Arte do Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073

Rio de Janeiro

Sexta-feira, 9 de junho, de 12 às 19h30 – Médiathèque da Maison de France (Consulado Geral da França no Rio de Janeiro), Avenida Antonio Carlos, 58 – Centro

De 10 a 18 de junho, de 13h30 às 20h30 – Cine Odeon (foyer do 2º andar)- Praça Floriano, 7 – Centro

 

Os filmes:

I, Philip, de Pierre Zandrowicz

Animação live action de 14 minutos. Narra a história de um jovem engenheiro que cria seu primeiro androide, Phil, cópia do autor de ficção científica Philip K. Dick.

Notes on Blindness, de Peter Middleton e James Spinney

Em seis capítulos independentes, o filme acompanha a história real do escritor e teólogo John Hull, que ficou cego antes do filho nascer. Ele grava fitas descrevendo a jornada de aceitação da doença. Suas falas são usadas no curta como narrativa para a criação de contornos que se aproximam da experiência do protagonista.

Viens!, de Michel Reilhac

Três mulheres e quatro homens nus interagem em um fundo branco em uma dança de corpos que leva o espectador a não ficar parado na cadeira giratória.

S.E.N.S, de Charles Ayats, Armand Lemarchand e Marc-Antoine Mathieu

A produção é a mais interativa da mostra. Como um jogo, o espectador deve escolher direções e objetos para atravessar uma jornada em animação.

Sergeant James, de Alexandre Perez

Em 7 minutos de um leve terror infantil, um garoto de sete anos precisa dormir, mas se assusta com um possível monstro que estaria embaixo de sua cama.

On Set – Slack Bay, de Fouzi Louahem

O documentário de 27 minutos apresenta os bastidores do filme Mistério na Costa Chanel, do diretor Bruno Dumont.

Out of the Blue, de Sophie Ansel

Com 10 minutos, o documentário conta a história de Cabo Pulmo, cidade mexicana que se tornou importante ponto turístico ecológico após o fim da pesca.

Kinoscope, de Philippe A. Colin, Clement Leotard

A animação de 9 minutos observa grandes nomes do cinema, desde Méliès até Tarantino.