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Começa hoje festival Cinema do Oriente Médio em SP

Por AE

São Paulo – Em dezembro de 2010, um jovem tunisiano cujo diploma universitário não lhe ajudou a conseguir emprego e que vendia frutas numa barraca para sustentar a numerosa família imolou-se em Túnis. Ele não apenas ateou fogo ao corpo. O incêndio atingiu o mundo árabe como um todo. Em uma semana, o ditador da Tunísia havia caído e logo a revolta atingia o Egito. Em 11 de setembro, no caderno Aliás, o especialista Laurence Wright assinalava que o Islã fundamentalista tem um novo e formidável adversário (que não os EUA) – os anseios dos jovens que querem fazer parte do futuro.

O festival Cinema do Oriente Médio, que começa hoje no CineSesc e na Galeria Olido, traz à cidade filmes – documentários e ficções – e também autores que podem ajudar a entender o que se passa no Oriente Médio, no Próximo e nos países islâmicos do Extremo Oriente. Uma mesa de debate – Citizen Journalism – vai discutir justamente o papel das novas mídias nas revoltas iranianas do ano passado e nas revoluções árabes quer têm ocorrido ao longo deste ano.

Cinema e realidade, cinema e atualidade. Poderiam ser os motes do evento que vai exibir, até dia 9, curtas e longas do Egito, Iêmen, Síria, Palestina, Israel, Turquia e Irã. Alguns programas despertam atenção especial. “18 Dias”, filme coletivo do Egito, documenta o processo revolucionário que atingiu o país e depôs o regime de Hosni Mubarak. “A Flood in Baath Country”, do sírio Omar Amiralay, vai iluminar a visão do cineasta morto em fevereiro deste ano. “All Restrictions End” trará à cidade o iraniano Reza Haeri para debater com o público.

Não representa pouca coisa, considerando-se as restrições que o regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad tem imposto ao cinema iraniano e a autores como Jafar Panahy, que não apenas foi preso como está privado de seus direitos de cineasta. Do Irã vem outra atração muito especial – e também com direção de Haeri. O documentário “Ajuste Final” é sobre um certo Arabpour, que possui uma loja discreta no centro xiita do Irã, em Qom.

M. Arabpour é alfaiate e, entre seus clientes, estava o próprio aiatolá Khomeini. Por meio da moda masculina, ele fala das mudanças no Islã. O poder visto de dentro – Haeri faz, no documentário, o equivalente da ficção de “O Círculo do Poder”, de Andrei Konchalovski, sobre o projecionista pessoal de Stalin. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cinema do Oriente Médio – Cinesesc (Rua Augusta, 2.075). Tel. (011) 3087-0500. R$ 4. Até 9/10. Galeria Olido (Av. São João, 473). Tel. (011) 3331-8399. R$ 1. Até 6/10.