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Geithner pede ao Congresso que dissipe “nuvem de moratória”

Por Glenn Somerville e David Lawder

WASHINGTON (Reuters) – O Congresso dos Estados Unidos precisa elevar o teto de endividamento do governo, estipulado em 14,3 trilhões de dólares, para afastar o risco de uma moratória histórica e preservar a estabilidade financeira mundial, disse na terça-feira o secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner.

Ao lançar o primeiro relatório anual do Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira, composto por agências reguladoras encarregadas de evitar uma repetição da crise financeira de 2007-09, Geithner deixou claro o que ele vê como maior prioridade.

“A coisa mais importante que podemos fazer agora para salvaguardar a estabilidade financeira é dissipar a nuvem de moratória que paira sobre a nossa economia”, disse ele em nota, num momento em que se arrasta no Congresso o debate sobre o limite de endividamento.

O relatório disse que a crise da dívida europeia, especialmente o risco envolvendo os títulos soberanos de Grécia, Irlanda e Portugal, ameaça causar um colapso financeiro.

Bancos dos EUA já limitaram sua exposição aos papéis das três nações problemáticas da Europa, mas mantêm ligações importantes com grandes bancos europeus que continuam vulneráveis a uma moratória desses países.

“O impacto sobre o sistema financeiro dos EUA dos fatos na Europa depende de como a crise na dívida soberana da Europa periférica evoluirá e da resistência das instituições financeiras e mercados dos EUA”, disse o relatório.

O texto diz que as agências reguladoras norte-americanas estão monitorando com atenção os riscos que podem decorrer da crise europeia.

Geithner preside o Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira, que tem entre seus integrantes também o presidente do Fed (Banco Central), Ben Bernanke, e chefes de outras agências reguladoras do setor financeiro.

Uma parte importante das funções do conselho é fazer recomendações para ampliar a capacidade de instituições financeiras dos EUA em resistirem a crises. O relatório contém várias dessas recomendações, mas poucos detalhes específicos foram divulgados.