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Gás de xisto resulta em queda das vendas da Petrobras aos EUA

Produção interna deve fazer Estados Unidos passar de importador do gás para exportador em breve

A alta velocidade com que os Estados Unidos ampliam sua produção de petróleo de xisto mudou o cenário geopolítico global associado ao combustível e contribuiu para uma redução de 60% nas exportações brasileiras do produto para o mercado americano em um período de dois anos. Em 2013, pela primeira vez, a Petrobras vendeu mais para a China do que para os EUA, que durante anos foi seu maior comprador.

Desde 2008, os Estados Unidos ampliaram em 50% a sua produção, graças à tecnologia que permite a retirada de petróleo de rochas de xisto. Só no ano passado, a expansão foi de 1 milhão de barris/dia, mais que a soma do aumento registrado em todos os demais países, segundo dados oficiais.

A previsão do governo é que aumento semelhante se repetirá em 2014, o que elevaria a produção americana a 8,5 milhões de barris/dia. Com expansão adicional de 800 mil barris esperada para 2015, o volume chegaria a 9,3 milhões de barris dia, próximo ao recorde de 9,6 milhões alcançado em 1970.

As projeções oficiais apontam para um aumento de 56% no suprimento de gás de xisto no período 2012 a 2040. Como no caso do petróleo, o produto é retirado de rochas com o uso de tecnologias que se tornaram viáveis no início deste século. Em breve, os Estados Unidos passarão de importador do produto para exportador.

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Importações – A maior produção diminuiu a dependência dos americanos de importações do instável Oriente Médio. Em 2005, os Estados Unidos importavam 60% do combustível que consumiram, porcentual que caiu para 36% no ano passado. As projeções apontam para um índice de 25% em 2016.

Esse movimento, aliado à maior demanda interna no Brasil, diminuiu os embarques nacionais de petróleo para os Estados Unidos de 8,7 bilhões de dólares em 2011 para 6,8 bilhões de dólares no ano seguinte e cerca de 3,4 bilhões de dólares em 2013 – redução de 60% em dois anos. Nesse mesmo período, as exportações totais de petróleo recuaram 40%, para 12,96 bilhões de dólares no ano passado.

Segundo a Petrobras, a redução mais acentuada das vendas para os EUA foi provocada por maior nível de processamento de petróleo em suas refinarias, aumento da demanda em outros países, como China e Índia, e mudanças estruturais no mercado americano, provocadas pela intensa produção de petróleo de xisto (shale oil, em inglês). A previsão da estatal para 2014 é que as exportações para os Estados Unidos continuem no mesmo patamar registrado no ano passado.

Enquanto os EUA ampliaram rapidamente a sua produção nos últimos seis anos, a Petrobras avançou em ritmo mais lento. Em 2008, a estatal produzia uma média de 1,85 milhão de barris/dia de petróleo. No ano passado, o número foi de 2,2 milhões, o que representou uma alta de 19%.

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Revolução – A expansão do suprimento de gás de xisto está levando a uma verdadeira revolução energética. Os preços de eletricidade estão caindo e empresas de setores que consomem muita energia, como alumínio, siderurgia, papel e químico, já começam a aderir à fonte. A matriz energética americana também está mudando: a expectativa é que o gás supere o carvão e se torne a principal fonte de energia elétrica do país em 2035, com participação de 35% – a do carvão cairia a 32%. Com isso, a emissão de poluentes também seria mais controlada, ficando, até 2040, em patamar inferior a 2005.

(com Estadão Conteúdo)