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Exterior volta a piorar e mantém juros futuros em baixa

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – As preocupações com a situação da Espanha e com a desaceleração da atividade chinesa voltaram a pesar sobre os mercados e deram munição para que os investidores em juros futuros continuem apostando na possibilidade de a taxa básica de juros, a Selic, retomar o patamar mínimo histórico de 8,75% ao ano. Esse quadro se sobrepôs às declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que na segunda-feira, em entrevista a uma emissora de TV, reafirmou que há probabilidade elevada de que a taxa básica fique ligeiramente acima da mínima histórica.

Nesse ambiente, as taxas curtas terminaram estacionadas nos patamares de ajuste e reverteram o pequeno avanço visto no começo do dia, em reação às declarações de Tombini, enquanto as longas voltaram a experimentar devolução de prêmios mais consistente. Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (793.835 contratos) estava em 8,72%, de 8,71% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2014, com giro de 456.680 contratos, indicava 9,15%, de 9,18%. O contrato com vencimento em janeiro de 2017 (83.585 contratos) cedia para 10,26%, de 10,37% na véspera, e o DI janeiro de 2021 (2.530 contratos) recuava para 10,70%, de 10,82% no ajuste.

Os mercados já abriram sob tensão, após a China informar que sua balança comercial em março teve superávit de US$ 5,3 bilhões. A questão é que o superávit foi gerado sobretudo pelo resultado da importação, que cresceu apenas 5,3% e ficou abaixo do esperado, fortalecendo a análise de que a demanda chinesa segue em desaceleração. Com isso, as commodities voltaram a cair, contribuindo para a manutenção de um quadro desinflacionário.

Na Europa, o spread dos contratos de swap de default de crédito (CDS, na sigla em inglês) de cinco anos da Espanha fechou nesta terça-feira na máxima histórica de 490 pontos-base, de acordo com dados da provedora Markit. Segundo profissionais do mercado, o fato de autoridades do Banco Central espanhol dizerem que os bancos do país podem precisar de mais capital traz preocupação adicional em relação à crise de dívida europeia.

Em meio ao quadro externo, os indicadores domésticos acabaram em segundo plano. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) do setor ficou em 82,1% em fevereiro, ante 82,4% em janeiro. O fluxo total de veículos nas estradas pedagiadas do Brasil em março apresentou crescimento de 0,7% na comparação com fevereiro, já descontados os efeitos sazonais, segundo o Índice ABCR calculado pela Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias e pela Tendências Consultoria Integrada. Boa parte desse resultado deve-se ao fluxo dos veículos pesados, que cresceu 2,4% na mesma comparação.