Dólar encerra em alta com aumento dos negócios

Por Silvana Rocha

São Paulo – Mesmo sem leilão de compra do Banco Central pela quarta sessão seguida, o dólar no mercado à vista subiu nesta terça-feira, interrompendo quatro pregões em baixa. O ajuste do preço foi acompanhado pelo aumento dos negócios, principalmente no mercado futuro, em resposta dos investidores ao quadro externo ruim e à reafirmação pelo governo brasileiro de que a taxa Selic deve seguir em queda e que o combate à apreciação do real persiste.

O fluxo cambial diário foi negativo, sobretudo pela demanda de importadores no mercado à vista. Já no segmento de derivativos cambiais, o destaque de compra foi um grande banco europeu, observou um operador de tesouraria de um banco nacional.

O ganho diário do dólar no balcão, de 0,60%, a R$ 1,8310, compensou quase toda a perda de 0,71% acumulada nas quatro sessões anteriores. No mês, a moeda apura alta de 0,22% e, no ano, ainda cai 2,03% ante o real. Na BM&F, o dólar spot terminou com queda de 0,67%, a R$ 1,8311.

Pelo posicionamento dos agentes financeiros, é possível afirmar que os fundos nacionais e hedge funds estrangeiros estão sustentando as posições compradas em cupom cambial, enquanto os bancos nacionais estão vendidos neste mercado, observa o economista Sidnei Nehme, da NGO Corretora. No mercado de cupom cambial, segundo ele, os bancos estão vendidos líquidos em US$ 9,1 bilhões, enquanto os investidores institucionais nacionais (fundos nacionais) estão comprados em US$ 8,1 bilhões e os hedge funds estrangeiros também estão comprados em US$ 1 bilhão.

No segmento de dólar futuro, as posições ontem estavam bem equilibradas: os bancos detinham 412.881 mil contratos de compra (cerca de US$ 2,064 bilhões) e 412.010 contratos de venda (US$ 2,060 bilhões); as pessoas jurídicas financeiras (excluindo bancos, DTVM e corretoras) estavam compradas em USS 1,4 bilhão; e os fundos estrangeiros estavam vendidos em US$ 1,6 bilhão. Vale pontuar que, na virada de março para abril, as posições compradas de fundos nacionais e as vendidas de bancos eram expressivas, mas foram zeradas, demonstrando que havia incerteza sobre a tendência do dólar.