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Dólar colabora para queda do déficit, diz chefe do BC

Por Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa

Brasília – Em meio a uma clara tendência de alta da cotação do dólar, o bom desempenho da balança comercial nas últimas duas semanas do mês passado e a redução do envio de remessas de lucros por empresas multinacionais explicam o desempenho melhor que o previsto do déficit em transações correntes em março. As contas externas brasileiras apresentaram em março déficit em transações correntes de US$ 3,320 bilhões, 42,1% menor que os US$ 5,737 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. O resultado também foi menor que o projetado pelo BC. A explicação foi dada pelo chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel. “Foram dois componentes para o déficit menor”, disse.

Maciel atribuiu parte desse bom desempenho ao câmbio. Com o dólar mais elevado, o desempenho da balança comercial, especialmente nas últimas duas semanas de março, surpreendeu o BC. Além disso, o envio de remessas de lucros e dividendos por multinacionais instaladas no Brasil segue em moderação porque o dólar mais caro desfavorece as transferências para o exterior. “O câmbio interferiu, sem dúvida”, disse.

Além disso, nas remessas, Maciel citou moderação observada desde janeiro. “Já está sendo observada certa moderação desde o primeiro mês do ano. Parte disso reflete a atividade menor no segundo semestre do ano passado, quando tivermos moderação no nível de atividade”, disse.

Viagens internacionais

Com o dólar mais alto, outro item que sofreu foram as viagens internacionais, cujo déficit caiu na comparação com o ano anterior. O déficit de viagens internacionais somou US$ 997 milhões em março, menor que o verificado em igual mês do ano passado, quando o saldo negativo gerado pelas viagens internacionais era de US$ 1,035 bilhão. Foi a primeira queda nessa base de comparação desde setembro de 2009.

O déficit do mês passado foi gerado porque as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 1,627 bilhão, valor superior à receita obtida com estrangeiros em viagem ao Brasil, que deixaram US$ 630 milhões no País no mês passado.

“Em 2011, o carnaval havia sido em março, o que explica parte da queda pela base de comparação. Mas, sem dúvida, a desvalorização do câmbio também influenciou visto que há rápida reação dessa conta”, disse Maciel.

Projeções

Maciel disse que a projeção oficial para o déficit em transações correntes em abril é de US$ 5,2 bilhões. Se confirmado, o valor será superior ao observado em março, quando o saldo negativo somou US$ 3,320 bilhões.

Maciel também informou que espera que boa parte desse déficit deverá ser financiado pelo ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), que deve somar US$ 5 bilhões no mês. A parcial até o dia 20, segundo Maciel, já soma US$ 3,4 bilhões.

Maciel comemorou o resultado de ingresso de IED em março. No mês passado, esse ingresso somou US$ 5,887 bilhões, acima dos US$ 4 bilhões previstos pela instituição. No trimestre, a conta soma US$ 14,939 bilhões, o segundo melhor trimestre da série.

“Tivemos um resultado muito bom no mês. Vale mencionar que o fluxo de IED tem superado o déficit em conta corrente e o financiamento tem sido feito exclusivamente com o IED”, comentou, ao lembrar que o fluxo em 12 meses soma US$ 64 bilhões. “Ou seja, também em 12 meses temos financiado com folga o déficit de transações correntes”, citou, ao lembrar que o saldo negativo é de US$ 49,8 bilhões no período.

Diante disso, Maciel comentou que a previsão oficial da casa de que o ingresso de IED deve somar US$ 50 bilhões no acumulado de 2012. “Comparado ao que observamos no 1º trimestre, essa previsão mostra-se até certo ponto conservadora, mas não vamos mudar”, disse.