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Dilma diz que poupança será analisada pelo governo “com calma”

BRASÍLIA, 24 Abr (Reuters) – A presidente Dilma Rousseff deixou em aberto nesta terça-feira que o governo pode mexer na caderneta de poupança, cujo atratividade poderá ganhar força frente a outras aplicações se a Selic continuar caindo. Segundo ela, esse é um assunto que terá de ser tratado com “muita calma”.

Ao ser questionada por jornalistas se faria alguma alteração na aplicação, Dilma apenas respondeu “veremos, veremos”.

“Sem dúvida nenhuma, todas as questões serão avaliadas pelo governo com muita calma, com muita tranquilidade”, afirmou a presidente após se encontrar com o governador-geral do Canadá, David Johnston.

Na semana passada, a presidente havia dito apenas que caberia ao ministério da Fazenda cuidar da poupança.

Há expectativas no mercado de que as regras da aplicação possam ser mudadas para ajudar a taxa básica de juros Selic -hoje em 9 por cento ao ano- a cair ainda mais. Isso é importante porque, com o juro básico em queda, tirando a atratividade das aplicações em renda fixa, muitos aplicadores podem migrar para a poupança, cuja remuneração é fixada em 0,50 por cento ao mês, mais a variação da Taxa Referencial.

Se esse movimento ocorrer, pode trazer distorções nos mercados, até mesmo para o Tesouro fazer emissões com base na Selic. Na quarta-feira passada, o Banco Central reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual e deixou a porta aberta para mais cortes. A Selic abaixo de 9 por cento, segundo especialistas, pode deixar a poupança mais atrativa.

Dilma voltou a afirmar que o Brasil não pode ter taxas de juros tão elevadas, não compatíveis com sua “posição no mundo”. O governo tem usado os bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, para forçar os concorrentes privados a cortarem os juros de seus empréstimos ao consumidores.

“Eu não acredito que seja uma questão que vamos realizar de sopetão. Vamos realizar isso (redução de juros) progressivamente. Repito, não há razão para que tenhamos uma taxa de juros tão elevada”, afirmou a presidente.

(Reportagem de Ana Flor)