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Dilma defende redução de juros e estímulo ao consumo

BELO HORIZONTE, 12 Jun (Reuters) – Em meio a números fracos sobre o crescimento da economia, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira ser necessário reduzir o custo de capital no país e que isso significa mais cortes de juros.

“Qual é a nossa diferença que explica -tecnicamente, não estou pedindo explicação política para isso- juros que não se compadecem com a qualidade da nossa situação econômica”, questionou Dilma em discurso em Belo Horizonte, durante cerimônia relativa a projeto de modernização do anel rodoviário da capital mineira.

“Porque, além de termos a inflação sob controle, somos um país que fez o dever de casa e temos as finanças públicas sob controle”, acrescentou.

A presidente também fez uma defesa de políticas do governo que estimulam o consumo e priorizam a produção de conteúdo local.

“Temos ainda um consumo extremamente deprimido nas classes mais populares”, disse a presidente.

“Não temos nível elevado de endividamento das famílias”, assegurou Dilma, que também negou a existência de uma “bolha” no setor de construção civil, aquecido pelos investimentos do governo no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

A presidente foi enfática ao rebater críticas a políticas de estímulo ao conteúdo nacional nas compras governamentais, como as realizadas pela Petrobras. Segundo ela, alguns investimentos da estatal estão atrasados não pelo adiamento na entrega de fornecedores locais, mas sim de fornecedores estrangeiros.

Os comentários de Dilma vêm dias depois de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciar crescimento de somente 0,2 por cento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2012.

A defesa feita pela presidente também acontece um dia depois de uma pesquisa do Banco Central junto ao mercado financeiro apontar queda na expectativa de crescimento econômico para este ano e para o ano que vem.

FRONT EXTERNO

Dilma revisitou ainda o tema da crise financeira internacional em seu discurso, e disse que o Brasil possui “forças internas” para fazer frente a essas turbulências.

Ela previu ainda um “processo cada vez mais contínuo” de crescimento do investimento a partir do segundo semestre deste ano.

“Temos uma política econômica consistente”, assegurou.

Na avaliação da presidente, “a crise do sistema bancário se sobrepõe à crise soberana dos países”. Ela defendeu a adoção de medidas que mudem “o padrão de crescimento e a visão que se tem dos processos de ajustamento”.

A presidente fez ainda uma crítica ao resgate de setores bancários na zona do euro e voltou a defender o incentivo ao crescimento econômico como saída para a crise.

“Nós sabemos que um país não sai da crise, pelo contrário, ele cria para ele mesmo uma armadilha, cada vez que ele corta o gasto, que ele para de investir, ele provoca o que está produzindo a Europa”, disse Dilma, que questionou a eficácia dos 100 bilhões de euros anunciados no fim de semana pela União Europeia para ajudar bancos da Espanha.

“Mais uma vez as autoridades da zona do euro respondem a uma crise que se aprofunda e que se torna uma crise quase crônica, respondem com 100 bilhões de euros de financiamento dos bancos”, disse.

“Vamos lembrar que no final do ano passado foram 1 trilhão de euros também para os bancos, e que não resultou numa reciclagem da dívida.”

(Reportagem de Sabrina Lorenzi)