Bolsas de NY fecham no negativo com crise na Europa

Por Gustavo Nicoletta

Nova York – Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam em baixa, pressionados pelo declínio nas ações de empresas ligadas ao segmento de commodities e por preocupações com o progresso feito até agora pelas autoridades da Europa no combate à crise das dívidas soberanas da região.

Hoje, o parlamento da Finlândia aprovou uma série de mudanças no fundo de resgate da zona do euro relacionadas ao plano anunciado em meados de julho pelos países europeus, com o objetivo de impedir que a crise se alastre para as grandes economias locais. As alterações precisam ser sancionadas por todos os 17 países da zona do euro para passarem a vigorar. Até agora, elas foram aprovadas por Grécia, Irlanda, Itália, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Eslovênia, além da Finlândia. Amanhã o assunto será colocado em votação no parlamento da Alemanha.

O mercado, no entanto, deu mais atenção às posições divergentes das autoridades europeias a respeito de como lidar com a crise. Hoje, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, defendeu uma expansão da capacidade de empréstimos do fundo de resgate da zona do euro e disse acreditar que o Banco Central Europeu (BCE) fará o que for necessário para garantir a estabilidade do bloco monetário.

Ontem, no entanto, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse durante um discurso em Berlim que as propostas apresentadas por autoridades europeias em Washington, entre elas a de aumentar o poder de fogo do fundo de resgate, “não fazem sentido”.

Outro fator que está preocupando os investidores é a possibilidade de os termos do segundo pacote de resgate à Grécia, definidos em julho, precisarem ser renegociados. Notícias publicadas recentemente indicam que alguns líderes europeus estariam defendendo perdas mais pesadas para os bancos detentores de títulos soberanos gregos, ideia combatida por nações como a França e também pelo Banco Central Europeu.

O Dow Jones caiu 179,79 pontos, ou 1,61%, para 11.010,90 pontos, encerrando o pregão apenas 13,92 pontos acima da mínima intradia. O Nasdaq perdeu 55,25 pontos, ou 2,17%, para 2.491,58 pontos, enquanto o S&P 500 teve declínio de 24,32 pontos, ou 2,07%, para 1.151,06 pontos. A queda de hoje quebra uma sequência de três sessões de alta para todos esses índices.

“Quando o mercado de ações é conduzido mais por emoções do que por fundamentos, o sentimento em geral muda muito rapidamente”, disse Kate Warne, estrategista de investimentos da corretora Edward Jones. Ela acrescentou que os investidores ainda estão preocupados com a falta de uma solução na Europa para lidar com a crise das dívidas da região. “O que vimos no último ano e meio foi o atraso das autoridades em relação às preocupações do mercado e isso deve continuar”, avaliou.

Os destaques da sessão de hoje foram os papéis do segmento de matérias-primas, que fecharam em queda acentuada. A Alcoa perdeu 4,87%, maior recuo entre os componentes do índice Dow Jones, enquanto a Alpha Natural Resources e a Cliffs Natural Resources tiveram duas das perdas mais significativas entre os componentes do S&P 500, caindo 11% e 8,4%, respectivamente.

“Eu acho que o colapso do cobre foi o que motivou isso, o ouro, a prata e o cobre estão cedendo e isso é muito comum em um mercado que está tentando encontrar um piso”, disse Travis Cochran, estrategista da MF Global. Em outros setores, a Amazon.com subiu 2,45% após apresentar o Kindle Fire, nova versão de seu tablet, que competirá com o iPad, da Apple.

Entre os indicadores publicados hoje, o Departamento do Comércio dos EUA divulgou que as encomendas de bens duráveis caíram 0,1% em agosto na comparação com o mês anterior, decepcionando os economistas que esperavam um aumento de 0,2%. No mercado de Treasuries, os preços e os juros ficaram perto da estabilidade, mesmo diante da forte demanda observada num leilão de US$ 35 bilhões em T-notes de cinco anos.

Os papéis foram colocados oferecendo um retorno de 1,015%, mínima recorde para este tipo de operação, e a procura superou em 3,04 vezes a oferta. A média dessa taxa nos quatro leilões.