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Bolsas da Europa caem sob dúvidas sobre zona do euro

Por Gustavo Nicoletta

Londres – Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em baixa hoje, pressionados por declarações contraditórias das autoridades da região a respeito de uma potencial expansão na capacidade da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês). “Simplesmente não sabemos em quem acreditar”, disse Joshua Raymond, estrategista de mercado do City Index.

Hoje, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, defendeu a expansão da capacidade da EFSF e disse acreditar que o Banco Central Europeu (BCE) fará o que for necessário para garantir a estabilidade da zona do euro. Ontem, no entanto, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse durante um discurso em Berlim que as propostas apresentadas por autoridades europeias em Washington, entre elas a de aumentar o poder de fogo da EFSF, “não fazem sentido”.

Além disso, ontem o jornal Financial Times afirmou em uma reportagem que sete dos 17 países da zona do euro defendem que os credores privados da Grécia sofram perdas maiores do que aquelas previstas no plano do segundo pacote de resgate ao país. A Comissão Europeia, no entanto, divulgou que os representantes dos credores internacionais gregos vão voltar amanhã a Atenas para continuar as negociações com o governo sobre a liberação da próxima parcela do auxílio financeiro.

“A incerteza ainda é o sentimento principal diante das mensagens divergentes vindas da Europa em relação aos próximos passos” da estratégia para conter a crise, disse Michael Hewson, analista de mercado da CMC Markets.

Apesar das discordâncias entre as autoridades, hoje o parlamento da Finlândia aprovou uma série de mudanças na EFSF relacionadas a um acordo fechado em julho pelos países europeus e que precisam ser sancionadas por todos os 17 países da zona do euro para passarem a vigorar. As alterações já foram aprovadas por Grécia, Irlanda, Itália, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Eslovênia, além da Finlândia. Amanhã o assunto será colocado em votação no parlamento da Alemanha.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 2,52 pontos, ou 1,10%, para 227,39 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 recuou 76,42 pontos, ou 1,44%, para 5.217,63 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 27,76 pontos, ou 0,92%, para 2.995,62 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em baixa de 50,02 pontos, ou 0,89%, a 5.578,42 pontos.

Em Milão, o índice FTSE MIB caiu 69,94 pontos, ou 0,47%, para 14.741,22 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, recuou 51,70 pontos, ou 0,61%, para 8.480,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve alta de 4,36 pontos, ou 0,07%, para 5.927,08 pontos.

O ASE, da Bolsa de Atenas, ganhou 18,75 pontos, ou 2,37%, para 809,94 pontos, beneficiado particularmente pelo avanço nos papéis de bancos após a notícia de que a Finlândia aprovou as modificações na EFSF. As ações do Alpha Bank subiram quase 13% e as do National Bank of Greece, 6,3%. Ainda no setor financeiro, as ações do Man Group recuaram 24,87% em Londres depois de a gestora de fundos divulgar que sua base de ativos encolheu 8,5% (cerca de US$ 6 bilhões) no trimestre encerrado em 26 de setembro, para US$ 65 bilhões. A companhia disse também que seus clientes resgataram aproximadamente US$ 2,6 bilhões em ativos durante o período.

No segmento petrolífero, os papéis do BG Group subiram 3,4% depois de o Goldman Sachs elevar a recomendação dos papéis da empresa para “comprar”, de “neutra”, citando um aumento de 77% no preço do gás natural liquefeito e o fato de a companhia ter dobrado sua base de recursos no Brasil. As informações são da Dow Jones.