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Seis policiais são afastados após devassa no Bope

Dois majores e um capitão que integram o grupo investigado por participar de uma ação em que 15 milhões de reais do tráfico desapareceram

A prática de afastar sumariamente policiais suspeitos de desvios de conduta continua valendo no Batalhão de Operações Especiais (Bope). A boa notícia é que, desta vez, uma investigação foi aberta para apurar o caso mais profundamente. No boletim interno da PM do último dia 10 de julho, seis agentes foram retirados oficialmente da unidade de elite e transferidos para o Departamento Geral de Pessoal (DGP), popularmente conhecida como “geladeira”. São dois majores, um capitão, um cabo e dois soldados, que estão sendo investigados num Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o sumiço de uma fortuna durante uma ação no Morro da Covanca, na Zona Oeste, em junho passado.

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De acordo com informações obtidas pelo site de VEJA, o tráfico levou um duríssimo golpe financeiro, com valores que se aproximam dos 15 milhões de reais. A denúncia que chegou à corregedoria revela, detalhadamente, como alguns policiais que participavam daquela operação tinham conseguido chegar ao local onde os criminosos guardavam o dinheiro. Um informante encapuzado foi levado e apontou os pontos exatos.

A Covanca fica em um complexo de favelas, na região da Praça Seca, de onde nos últimos anos milicianos foram expulsos por bandidos oriundos do Alemão e da Penha, entre eles Luiz Claudio Machado, o Marreta, preso no Paraguai em dezembro do ano passado por agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança (SSinte). A região se transformou na central de abastecimento de drogas do Comando Vermelho. Os “matutos” (fornecedores) sempre entregavam suas mercadorias ali e o material era repassado a outras favelas da mesma facção. Ali também eram feitos os milionários pagamentos, sempre em espécie.

Na semana passada, a Corregedoria da PM fez uma devassa no Bope, em Laranjeiras, revistando armários e até casas de agentes. Os afastados da unidade são: major Marcelo de Castro Corbage; capitão Renato Roberto Soares Júnior; cabo Álvaro Luiz Ferreira; o soldado Fabio Vidal Pedro, além do soldado Flavio da Silva Alves, que foi preso em flagrante com treze granadas em casa, e do major João Renato Teixeira Sampaio, chefe do Serviço Reservado da unidade, que estava com uma pistola irregular, também foi autuado em flagrante, mas pagou fiança.

Sampaio já tinha passado pelo Bope anteriormente, mas acabou afastado do batalhão em fevereiro de 2007, quando quem comandava a tropa de elite era justamente o atual comandante geral da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto. Na ocasião, ele foi acusado, junto com um grupo de policiais, de saquear um apartamento do miliciano Felix Tostes, que havia sido morto. A viúva acusou os policias de sumirem com 4.500 reais e algumas joias. O oficial chegou a ser submetido ao conselho disciplinar, mas conseguiu se livrar das acusações.

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