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Polícia investiga estupro na Universidade Federal de Juiz de Fora

Adolescente de 17 anos teria sido violentada em festa de calouros nas dependências da UFJF

A Polícia Civil de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, investiga o estupro de uma adolescente de 17 anos, ocorrido entre a noite do dia 13 (sexta-feira) e a madrugada do dia 14 de abril (sábado), durante uma festa de recepção a calouros, promovida nas dependências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A vítima, pelo que apuraram os investigadores, é aluna do 1º período do curso e, na festa, teria ingerido bebida alcoólica e, possivelmente, algum tipo de medicamento. A garota foi encontrada de madrugada, por uma amiga da turma, desacordada e com as roupas “decompostas”. Ao receber ajuda, ela apresentava forte sintoma de embriaguez, não se lembrava do que havia acontecido, tinha arranhões nos braços e se queixou de dores.

A amiga levou a menor para casa e, na manhã de sábado, como a garota continuava sentido dores, como se tivesse sido violentada, as duas resolveram procurar a Santa Casa de Misericórdia, já suspeitando de estupro. A médica que atendeu a adolescente a encaminhou para ser examinada por uma médica legista do pronto-socorro do hospital, que confirmou indícios de violência sexual. Diante da situação, os médicos chamaram a Polícia Militar e o Conselho Tutelar do município. A Delegacia de Mulheres, a Polícia Federal (PF), o reitor e o chefe de segurança da UFJF também foram informados sobre a suspeita de estupro no câmpus. Após a PF analisar a situação, o caso foi repassado à Polícia Civil.

A delegada Maria Isabela Bovalente Santos instaurou inquérito na última quarta-feira. Ela já ouviu a vítima e os pais dela. O casal é do interior de São Paulo e viajou para Juiz de Fora para acompanhar o caso.

Acompanhada dos pais, a menor procurou a secretaria com a intenção de trancar a matrícula. A vítima era virgem, segundo a apuração. Durante a festa, estava bebendo com um grupo de garotas e rapazes. Como Maria Isabela foi transferida para trabalhar em Belo Horizonte, o caso passou para as mãos da delegada Maria Pontes.

Procurada pelo site de VEJA, a assessoria da Polícia Civil de Juiz de Fora informou que Maria Pontes ainda está se inteirando da denúncia, mas, como se trata de suspeita de estupro contra uma menor, ela não vai se pronunciar oficialmente ao longo das investigações.

O setor de comunicação da UFJF informou que instituição de ensino abriu sindicância interna. A universidade tenta descobrir se há envolvimento de alunos ou funcionários. O reitor Henrique Duque de Miranda Chaves Filho determinou a suspensão temporária de eventos festivos nas dependências universidade.

Uma nota divulgada no site da instituição informa que a festa em que teria ocorrido o estupro não era um evento oficial. Diz a nota: “A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) informa que a festa Calourarte, promovida por alunos do Instituto de Artes e Design na última sexta-feira (13), não foi realizada por órgão institucional ou unidade acadêmica da UFJF. As possíveis ocorrências registradas durante o evento estão sendo conduzidas pelos órgãos competentes e serão instaurados procedimentos internos de apoio às investigações das autoridades policiais”.

Os contatos do reitor Henrique Duque com a aluna e os pais dela foram feitos apenas por telefone. O reitor disse que manifestou solidariedade à estudante e à família e que a UFJF terá todo o empenho na apuração. Duque afirmou estar chocado com o episódio. “Esse sentimento não surge somente em nome da instituição, mas também em meu nome como pai. Nós, que somos educadores, sabemos que situações do tipo representam uma mudança de comportamento, que, por sua vez, relaciona-se à educação. Preocupa-me muito essa sinalização nova e negativa”, afirmou o reitor.