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PF deflagra nova etapa de operação que investiga fraudes em obras de ferrovia

Operação Tabela Periódica, braço da Lava Jato, cumpre catorze mandados de condução coercitiva, 44 de busca e apreensão em Goiás e em outros oito Estados

Além da Operação Saqueador, a Polícia Federal também cumpre na manhã desta quinta-feira catorze mandados de condução coercitiva e 44 mandados de busca e apreensão nos Estados de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Ceará, Bahia e Distrito Federal. Batizada de Tabela Periódica, a ação é um desdobramento da Lava Jato e uma nova etapa da Operação Recebedor, que investiga um esquema de corrupção em contratos de construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, firmados entre a Valec, estatal ferroviária ligada ao Ministério do Transporte, e empreiteiras investigadas no petrolão, como Odebrecht, Queiroz Galvão, Constran, OAS, Mendes Júnior, Camargo Corrêa, entre outras.

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MP suspeita que dinheiro da Operação Recebedor abasteceu campanhas políticas

De acordo com o Ministério Público Federal, os prejuízos aos cofres públicos são calculados em cerca de 632 milhões de reais, considerando somente os trechos executados na construção da Ferrovia Norte-Sul. “Considerando-se os demais trechos situados nos demais estados da federação, esse valor pode ser ainda bem maior”, diz o MPF.

Braço da Lava Jato, a operação Recebedor foi deflagrada em fevereiro deste ano a partir de um acord de leniência firmado com a empreiteira Camargo Corrêa. O ex-presidente da valec José Francisco das Neves, o Juquinha, foi o principal alvo da ação.

No acordo firmado com autoridades, a Camargo Corrêa revelou ter pagado, sozinha, mais de 800.000 reais em propina para Juquinha. As empreiteiras pagavam propina a um escritório de advocacia e duas empresas indicadas por Juquinha por meio de contratos simulados. As empresas funcionavam como fachada para maquiar a origem ilícita do dinheiro.

Na ocasião, o procurador Hélio Telho, um dos encarregados do caso no Ministério Público Federal, disse que havia indícios suficientes para suspeitar que a maior parte dos recursos desviados tenha servido para abastecer campanhas políticas, uma vez que os personagens envolvidos no esquema são apadrinhados por conhecidos caciques políticos de partidos da base do governo federal.

Em junho, o Ministério Público Federal denunciou oito pessoas, entre elas Juquinho e outro ex-presidente da Valec Luiz Raimundo Carneiro de Azevedo por suspeita de terem desviado 23,1 milhões de reais dos cofres da empresa em obras da ferrovia Norte-Sul no Tocantins. Na ação, o MPF aponta que o grupo é responsável pelo superfaturamento de 27% de um contrato firmado entre a Valec e a SPA Engenharia, Indústria e Comércio para a construção dos trechos da ferrovia nas cidades Ribeirão Mosquito e Rio Campo Alegre, no Tocantins. O contrato, que foi assinado em 2000 e vigorou até 2006, ainda recebeu aditivos que aumentaram ainda mais o preço das obras. As irregularidades foram verificadas em fiscalização do Tribunal de Contas da União, em 2008.

Confira os alvos de mandados da Operação Tabela Periódica:

Goiás: Fuad Rassi Engenharia Indústria e Comércio Ltda. (Goiânia); Sobrado Construção Ltda. (Goiânia)

São Paulo: Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda.; Estacon Engenharia S.A.; S.A. Paulista de Construção e Comércio (“S.A. Paulista”); Somague Mph Construções S.A. (“Somague”); José Carlos Tadeu Gago Lima, da Constran (Santos); Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, da Odebrecht; Rui Vaz da Costa Filho, da Queiroz Galvão.

Rio de Janeiro: Carioca Christiani Nielsen Engenharia S/A; Delta Construções S/A; Ricardo Ferraz Torres, da Odebrecht; Maurício de Castro Jorge Muniz, da Carioca Engenharia.

Minas Gerais: Construtora Almeida Costa Ltda. (Belo Horizonte); Construtora Cowan S.A. (Belo Horizonte); Construtora Ourivio S.A. (Belo Horizonte); Fidens Engenharia S.A. (Belo Horizonte); Convap Engenharia e Construções S/A (Vespasiano); Pavotec Pavimentação e Terraplanagem Ltda. (Contagem); Pedra Sul Mineração Ltda. (Matias Barbos); Djalma Florêncio Diniz, da Pavotec (Belo Horizonte); Ricardo Augusto Novais, da PA Engenharia (Belo Horizonte).

Espírito Santo: Pelicano Construções S.A. (Serra).

Paraná: Denise Moraes Carvalho, da CR Almeida (Pinhais); Hélio Carrijo da Cunh, da CR Almeida (Curitiba); Raul Clei Siqueira, da CR Almeida (Curitiba).

Ceará: Rui Novais Dias, da Queiroz Galvão (Fortaleza).

Bahia: Top Engenharia Ltda. (Salvador); Embratec – Emp. Brasileira de Terraplenagem e Const.Ltda. (Salvador); Paviservice Serviços de Pavimentação Ltda. (Salvador).

Distrito Federal: CMT Engenharia Ltda. (Brasília); Construtora Sanches Tripoloni Ltda. (Brasília); TRIER – Engenharia Ltda. (Brasília); José Henrique Massucato, da Galvão Engenharia (Brasília); Reinaldo Batista de Medeiros, da Mendes Jr. (Brasília); Luiz Ronaldo Cherulli, da Queiroz Galvão (Brasília).

(Da redação)