Laboratório no interior de São Paulo é invadido por ativistas

Grupo afirma que Instituto Royal, em São Roque, pratica maus-tratos em cães. Ação tinha objetivo de 'salvar' animais e 300 deles teriam sido levados do local

Um grupo de ativistas de defesa dos animais acampado desde o sábado passado em frente ao Instituto Royal, em São Roque (SP), invadiu na madrugada desta sexta-feira a sede do laboratório, que realiza pesquisas nos setores farmacêutico e veterinário, entre outros. Os manifestantes, entre eles integrantes do Black Bloc SP, acusam a empresa de maus-tratos em cães da raça beagle utilizados em pesquisas.

O ato que culminou com a invasão começou por volta das 20 horas. A Guarda Municipal de São Roque enviou homens e viaturas aos portões do instituto e não registrou tumulto até por volta das 2 horas da madrugada. Após convocarem mais pessoas para irem até a empresa, localizada a 60 quilômetros da capital paulista, os ativistas derrubaram um portão e entraram no complexo do laboratório para, segundo eles, “resgatar” os cães. Cerca de 300 deles teriam sido levados e outros 200 permanecido no local.

A ação chegou a ser transmitida em uma página do grupo na internet, onde foram postados links para fotos com os cachorros retirados do laboratório. A imagem de um cão supostamente congelado em nitrogênio líquido também foi exibida.

Quase uma hora depois do início da invasão, após tentar barrar os ativistas com um cordão de isolamento, a Polícia Militar deteve algumas pessoas, segundo relato dos próprios manifestantes. De acordo com eles, pouco depois a PM estacionou viaturas na Rodovia Raposo Tavares, onde fica o Instituto Royal, e passou a vistoriar carros em busca dos cães retirados do laboratório.

O caso – Os protestos contra o Instituto Royal começaram ainda no ano passado. Os ativistas alegam que a empresa pratica irregularidades e atos criminosos contra os animais. Nos últimos dias, os manifestantes se reuníram com o prefeito de São Roque, Daniel de Oliveira Costa (PMDB), e pediram apoio da administração municipal. Eles também exigem atuação do Ministério Público no caso.

O Instituto Royal defende suas pesquisas em seu site e diz que respeita todas as normas nacionais e internacionais no trato com os cães em laboratório. A empresa é uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e tem entre suas fontes de financiamento dinheiro público, graças ao apoio de agências de fomento à pesquisa científica. Os defensores dos animais afirmam que a empresa não possui licenças e alvarás para as atividades que realiza.