Ativista anticorrupção encerra greve de fome e é ovacionado

O ativista anticorrupção indiano Anna Hazare encerrou neste domingo a greve de fome após 13 dias de jejum, um protesto que resultou em concessões do governo e provocou uma grande manifestação de alegria de seus simpatizantes, que consideram que ele derrotou os políticos.

Hazare bebeu um pouco de leite de coco e amêndoa diante de dezenas de milhares de simpatizantes, reunidos em uma esplanada do centro de Nova Délhi.

“Demonstramos ao mundo como organizar um protesto pacífico. O Parlamento teve que se dobrar ante o poder do povo, mas nossa luta não acaba aqui. Queremos mudar o país, mas dentro do marco da Constituição”, disse o ativista.

No sábado, Hazare decidiu encerrar a greve de fome depois que os parlamentares indianos aceitaram algumas de suas demandas.

A campanha anticorrupção de Hazare, muito apoiada pela classe média urbana e pela população rural, foi centrada em um projeto de lei que pretende criar um posto de mediador da República para controlar os políticos e os burocratas.

Hazare exigia um texto mais rígido, com previsões de punições para funcionários do Estado envolvidos em corrupção.

Com a recusa do governo, o ativista iniciou uma greve fome em 16 de agosto, que passou a ser pública três dias depois, quando ele seguiu para o centro de Novo Délhi, emulando as mobilizações pacíficas de Mahatma Gandhi, um dos pais da indepêndencia da Índia.

No sábado, o ministro das Finanças, Pranab Mukherjee, anunciou que os parlamentares aceitaram algumas demandas de Hazare, como a criação de um mediador da República em cada um dos 29 estados do país, a redação de uma “Carta do Cidadão” que explique os direitos dos indianos e a ampliação dos poderes do mediador a todos os funcionários do governo.

Dezenas de milhares de pessoas chegaram à cidade para acompanhar o momento histórico, sob os olhares das forças de segurança.

“Juro que nunca aceitarei suborno”, gritava a multidão como um lema do movimento.

“É um dia histórico para o país. O governo fracassou completamente. Agora, está em dívida com o povo. Hazare representa o cidadão a pé. A vitória dele é a nossa vitória”, afirmou Paresh, um simpatizante do ativista de 36 anos.

“Tantas pessoas vieram para apoiá-lo pagando com o próprio dinheiro, enquanto os partidos políticos pagam às pessoas para garantir público em seus comícios”, ironizou R.S. Mangat, um consultor técnico da indústria de papel.

“Hoje estamos orgulhosos de ser indianos. Vencemos sem violência. Viva nossa mãe Índia!”, gritou um manifestante.

Arvind Kejriwal, um dos principais coordenadores da campanha de Hazare, destacou neste domingo que a greve de fome era uma expressão dos sentimentos da população sobre a corrupção.

“Estamos agradecidos ao primeiro-ministro (Manmohan Singh), ele soube demonstrar um talento de líder ontem no Parlamento. Também agradecemos aos parlamentares por terem ouvido a voz do homem da rua”, declarou.